Tensão no mercado deve se ajustar e não impacta leilões de infraestrutura, diz Abdib

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Fonte da notícia: Valor Valor

A reação adversa do mercado financeiro ao quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deverá se ajustar rapidamente e não deverá impactar as licitações de infraestrutura marcadas para o fim deste ano, afirmou Venilton Tadini, presidente-executivo da Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base).

“Este estado de coisas não dura mais do que duas semanas”, disse ele, que avalia que o governo eleito deverá dar sinais de ajustes e que é inviável manter esse nível de atrito com o setor produtivo e com o mercado financeiro. “É normal esse primeiro sintoma, essa primeira impressão, porque as estruturas dos bancos têm esse objetivo, elas fazem uma estrutura de apostas e operações de mercado futuro, mas isso se ajusta muito rapidamente, isso não nos preocupa”, afirmou.

Ao ser questionado a respeito do impacto desse ruído em relação à série de leilões marcados para as próximas semanas, ele disse que esse não será um fator determinante nos resultados. “Aqueles que irão participar já estão equacionados, a menos que os projetos não tenham estrutura de risco-retorno bem estruturadas”, disse.

“No limite, o investidor vai ter que colocar um custo de financiamento maior no modelo. Vai reduzir eventualmente a outorga a ser paga no leilão ou o deságio que seria dado, o ajuste se dá no preço dos ativos”, disse Roberto Guimarães, diretor de planejamento e economia da entidade.

Entre os principais desafios que a nova gestão terá que enfrentar na área de infraestrutura está o fortalecimento das agências reguladoras e a abertura de espaço orçamentário para que recursos públicos sejam alocados a projetos estruturantes, como Parcerias Público-Privadas (PPPs) de ferrovias, disse Tadini.

“Não é em cima das agências reguladoras e do Ibama que tem que se fazer ajuste fiscal, dado que se tem R$ 60 bilhões de emendas parlamentares”, afirmou o presidente. Para ele, é preciso evitar a demora para a nomeação das diretorias e o contingenciamento de recursos, já escassos, dos órgãos reguladores.

Publicação Original Valor valor.globo.com
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