Um renascimento brasileiro

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

A História aconteceu diante de nossos olhos. Ainda levará um tempo para que entendamos a dimensão do que aconteceu no Brasil nessas últimas semanas e na virada da eleição.

Com uma força colossal, boa parte do povo brasileiro foi para as ruas de forma espontânea e ordenada, com o entendimento de que o que estava em jogo era o destino de toda uma nação: nossa autonomia, nossa soberania e a democracia conquistada ao longo do tempo e a duras penas.  Em poucas semanas, uma nova consciência tomou conta da juventude, que muitos imaginavam distante e alienada.

Mas não só os jovens se ergueram para lutar pelo seu país, a partir da iniciativa dos estudantes da UFF em Niterói, que tomaram as ruas no primeiro momento depois do primeiro turno e espalharam a centelha do não conformismo. Porteiros, advogados, faxineiras, comerciários, taxistas, nadadores, surfistas, corredores, remadores, diaristas, dentistas, engenheiros, feirantes.

Muitos se manifestaram, cada um do seu jeito. E as ruas foram tomadas como nunca na história deste país, ao mesmo tempo em que as redes foram ocupadas com mensagens verdadeiras e honestas de uma multidão que aprendeu rapidamente a operar o mundo digital por uma causa nobre.

O deputado André Janones apontou um caminho: “não é pra comer, não é pra dormir, não é pra se distrair”, gritava aos seus comandados. O momento era grave e era preciso investir tudo.

E deu certo. Além disso, o país disse não ao etarismo: com delicadeza e atenção, dezenas de pessoas levaram seus familiares, vizinhos e amigos idosos para votar, ajudando na sua locomoção e prestando homenagem àqueles que lutaram toda uma vida e ainda estão dispostos a contribuir.

Do jovem ao velho, um país inteiro se mobilizou. O mundo assistiu boquiaberto à marcha dos brasileiros na direção da sua humanidade.

Por uma margem pequena, ou nem tanto (mais de 4 milhões de votos) o Brasil escolheu a inclusão, a esperança, a felicidade, a liberdade, a preservação do meio ambiente, os valores humanistas e mostrou ao mundo que outro caminho é possível para longe do fascismo que se alastra por aí.

Vi mensagens emocionadas de gente de outros países agradecendo ao Brasil e aos brasileiros pela escolha corajosa, contra tudo que é poderoso no planeta e nos tomando como exemplo. “Então, é assim que se faz?”

Travamos uma guerra contra o poderio norte-americano, a CIA, os bilionários das empresas de tecnologia, a milícia, a força da grana “que destrói coisas belas”. “Obrigado Brasil”.

“Obrigado por mostrar que outro mundo é possível”. Famosos e anônimos norte-americanos, europeus, latino-americanos, iranianos, palestinos falaram.

Para a presidenta do México, Claudia Sheinbaum, a vitória de Lula foi uma “lufada de ar fresco, estamos felizes”. Tantas músicas bonitas e comoventes embalaram imagens e vídeos leves, mas densos, mostrando os atos pela democracia nas ruas, sempre temperados com muito afeto, abraços, amor.

(Que expressões artísticas o lado de lá apresentou?) Gente de todo o país chegando para votar dos lugares mais distantes, indo de barco, de barca, de ônibus, a pé pelas estradas de terra, em carreatas, carroças, até a cavalo. Mesmo com toda a dificuldade dos percursos, um povo que vinha com alegria, muita alegria, que é a matéria de que é feita a esperança e a luta daqueles que rejeitam o ódio e a destruição.

“Afastamos os milicianos sem dar um tiro”, comemoram. Alguns chamaram essa energia e o movimento que levou à vitória de Lula de Renascimento Brasileiro.

Poucas vezes se viu uma reação tão forte e determinada do povo. Uma nova consciência, uma virada de chave, a compreensão de que querer é poder.

Sim, é sobre resistir, sobre ter certeza, sobre buscar força para pavimentar a estrada para filhos e netos seguirem no processo civilizatório. Não foi fácil.

O susto da derrota no primeiro turno acendeu o alerta. Foi esse susto e o medo do retrocesso e da barbárie que levaram a essa vitória.

Sim, teremos um congresso com maioria de extrema direita, teremos governadores que flertam com o fascismo, mas o povo mandou seu recado: estará de olho, vigilante, porque aprendeu, ou reaprendeu, que a união e a ação coletiva é sua força. A luta continua, mas temos um país.

Salvamos o Brasil. Cada um de nós.

Publicação Original Brasil 247 brasil247.com
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