Pazolini terá de construir maioria na Assembleia do ES; veja o que dizem apoiadores e opositores

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Fonte da notícia: A Gazeta A Gazeta

Eleito governador do Espírito Santo no domingo (25), o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) precisará contar com uma Assembleia Legislativa (Ales) minimamente alinhada ao seu projeto de governo para o Estado. Parlamentares ouvidos pela reportagem de A Gazeta se dividem entre oposição, independência e apoio às iniciativas a serem encaminhadas pelo novo mandatário.

Ter poder de articulação junto ao Legislativo será primordial para garantir a governabilidade do novo chefe do Executivo capixaba, uma vez que precisará de maioria de votos para que suas iniciativas sejam aprovadas em plenário. Apesar de a eleição deste ano ter deixado o Partido Liberal (PL), legenda que apoiou a campanha de Pazolini ao governo, com a maior bancada na Ales, elegendo seis deputados, a Casa terá outros 24 parlamentares de diferentes partidos.

Isso significa que o governador eleito não tem garantias de que suas propostas serão aprovadas sem enfrentar resistência ou oposição. Para o cientista político João Gualberto, professor emérito da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e doutor em Sociologia Política pela Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais, na França, “será muito importante, então, que o governo dialogue com o Legislativo” para construir uma base sólida de apoio à execução de seu projeto de governo.

Ainda segundo o especialista, os últimos governos mostram que, mesmo em cenários de diferenças partidárias e ideológicas, o Legislativo tende a superar divergências para aprovar projetos considerados de interesse da população. “Não vejo nada que não possa ser vencido com habilidade política pelo governador Pazolini”, conclui o especialista.

Entre os parlamentares eleitos para a próxima legislatura, há diferentes posicionamentos sobre a relação com o governo de Lorenzo Pazolini. Enquanto alguns sinalizam disposição para o diálogo, outros antecipam uma postura de oposição.

A deputada estadual Camila Valadão (PSol), reeleita em 2026, afirmou que fará oposição ao novo governo e que pretende acompanhar de perto propostas que possam representar mudanças em políticas públicas do Estado. “Eu já afirmei hoje no plenário: seremos uma oposição firme, corajosa.

Ele pode esperar isso do nosso mandato. Não vamos aceitar os retrocessos que foram implementados em Vitória”, declarou.

A parlamentar também mencionou preocupações com propostas relacionadas à possível privatização do Banco do Estado do Espírito Santo (Banestes) e da Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan). Quem acompanha a deputada do PSol na oposição ao novo governo na Ales é o deputado eleito Júlio da Fetaes (PT).

Para o petista, "o governador eleito representa no Espírito Santo um projeto que fez muito mal ao país", com o qual ele diz não se alinhar.  No entanto, o parlamentar recém-eleito frisa: "Iniciativas democráticas, construídas com diálogo e que sejam benéficas para o povo, terão o meu apoio.

Mas qualquer coisa que não siga esses princípios terá a minha oposição". Também novato na Ales a partir do ano que vem, Franco Fiorot (Podemos) sinalizou disposição para manter uma relação de diálogo com o novo governo.

Segundo ele, a posição será construída a partir das diretrizes apresentadas pela futura gestão. “Em linhas gerais, tenho uma postura de muito diálogo e proposição. Vamos conduzir o diálogo sabendo quais são as diretrizes do novo governo.

Teremos uma postura de muito diálogo."  Ressalta-se que o partido do parlamentar é integrante da base do atual governo e apoiou a candidatura de Ricardo Ferraço (MDB) à reeleição, embora sua Executiva nacional tenha decidido manifestar apoio a Pazolini a partir do segundo turno do pleito deste ano.

Outro novato eleito pelo Podemos, o deputado Leandro Sperandio, por sua vez, afirmou ter recebido com satisfação o resultado das eleições, mas ressaltou que pretende manter postura independente em suas decisões na Assembleia. “Fico feliz com a vitória do Lorenzo.

Fui eleito de forma independente. A minha posição será sempre em favor da sociedade.

Agora é o momento de unir o Espírito Santo”, declarou.  Sperandio também sublinha que pretende aguardar uma definição da direção estadual do Podemos sobre o posicionamento da legenda em relação ao novo governo. “Temos uma lealdade partidária a ser cumprida.

A eleição passou. Tenho independência para poder me posicionar como o eleitor me escolheu, mas respeitando também o posicionamento do partido”, acrescentou.

Já a deputada estadual eleita Açucena (PT) afirma que sua atuação em relação ao novo governo será definida em conjunto com os demais integrantes da bancada petista. “Meu posicionamento será construído coletivamente, seguindo as orientações da bancada do PT e as deliberações do partido, sempre ao lado dos movimentos sociais, das mulheres, da juventude e dos interesses do povo capixaba”, disse.

Veterano na Ales e reeleito para mais um mandato, Mazinho dos Anjos (MDB)  sinaliza abertura para o diálogo com o governador eleito, apesar de seu partido ter disputado o segundo turno com Ricardo Ferraço. “Da minha parte, ele pode contar com diálogo, respeito e disposição para contribuir com tudo aquilo que for bom para o Espírito Santo”, afirmou.

Publicação Original A Gazeta agazeta.com.br
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