Tebet diz que Centrão precisa do governo para se reerguer: ‘Pode haver aí um casamento'

Tebet diz que Centrão precisa do governo para se reerguer: ‘Pode haver aí um casamento' - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

A ex-ministra e ex-senadora Simone Tebet disse nesta terça-feira que os partidos do Centrão precisam do governo Lula para se reerguer, após perderem cadeiras no Congresso em meio ao crescimento do bolsonarismo. Segundo ela, isso pode levar a um “casamento” entre os interesses do Executivo e as legendas que compõem o centro e a direita moderada.

Em entrevista à GloboNews, Tebet reconheceu que a nova gestão terá desafios pela frente, como obter maioria em votações na Câmara e no Senado. — É verdade que temos adversidades, de todos os governos Lula, esse será o com maior número de oposição.

Mas tem um detalhe, o fato do Centrão ter perdido força de tal forma, e ter encolhido a ponto de precisar do governo também para se reerguer, então eu acho que pode haver aí um casamento, com interesses diferentes. A avaliação ocorre após uma eleição marcada pelo avanço de candidatos alinhados ao bolsonarismo no Congresso, o que deve dificultar a formação de uma base de apoio ao presidente.

Nesse cenário, a aproximação com partidos de centro e de direita moderada é vista por Tebet como uma alternativa para garantir a governabilidade e reduzir a influência da oposição mais radical. A ex-ministra do Planejamento e Orçamento disse que é necessário “fortalecer” partidos do Centrão para fazer frente à oposição bolsonarista.

— A forma de nós realmente enterrarmos o bolsonarismo e extrema direita no país, é voltando a fortalecer e dando força aos partidos de centro, seja o MDB, PSDB, PSD, aqueles que a gente inclui como Centrão, o governo sabe disso,e dar essa força a eles significa também ter governabilidade — afirmou.

A ex-senadora foi candidata com apoio de Lula a um novo mandato no Senado, em São Paulo, mas ficou em terceiro lugar na disputa. Segundo ela, a nova gestão de Lula deve abrir mais espaço para influências fora do PT.

— Eu acredito que vai ser um governo diferente em todos os aspectos, difícil, nós não teremos maioria, com todas as dificuldades econômicas, mas acho que virá um Lula 4 com uma frente ampla, valorizando os companheiros independente se for do PT ou não. Após disputar a Presidência em 2022, Tebet passou a integrar a frente ampla que apoiou Lula contra Jair Bolsonaro no segundo turno.

Posteriormente, assumiu o Ministério do Planejamento e Orçamento, tornando-se uma das principais representantes de partidos de fora do PT na equipe ministerial. Sua participação no governo foi apresentada como um exemplo da abertura da gestão a diferentes forças políticas.

Porém, o governo Lula concentrou petistas no Palácio do Planalto, o que foi criticado ao longo do mandanto. Ao comentar sua experiência à frente da pasta, Tebet afirmou que teve liberdade para participar das discussões internas do governo e apresentar discordâncias ao presidente, embora tenha procurado fazer suas ponderações de maneira reservada.

— Não precisava de chave ou bater na porta para entrar, eu sou muito discreta, então procurei fazer do meu jeito, fazer as críticas construtivas da forma mais discreta possível.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
Acessar no site oficial
Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →