O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e a ex-primeira-dama e senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL-DF) se fortalecem como líderes nacionais da direita após a derrota do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na eleição presidencial, de acordo com a avaliação de presidentes de partidos e de uma ala da oposição.
O entendimento é que os dois já vinham construindo uma liderança nacional no campo da direita desde quando o ex-presidente Jair Bolsonaro foi preso no ano passado, condenado por liderar uma trama golpista. De acordo a avaliação de políticos que tentam construir uma alternativa de oposição a Lula, o governador e a senadora eleita tem capacidade de unir a direita, centro-direita e tem podem aglutinar diferentes setores da oposição.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito neste domingo. Com 99,97% das urnas apuradas, o petista teve 51,78% dos votos, contra 48,22% de Flávio.
Com a derrota de Flávio e o fato de ele ficar sem mandato a partir de agora, há um entendimento que ele sai enfraquecido da disputa e terá dificuldade de manter os apoios que teve no pleito deste ano. Por outro lado, Tarcísio terá mais quatro anos de mandato como governador de São Paulo, o maior estado do país, e o fato de ter proximidade com presidentes de partidos como União Brasil, PP, PSD e Republicanos.
Michelle, que nunca exerceu cargo político antes, também terá sua liderança política testada durante os próximos anos como mandatária. Com a prisão do marido e a derrota eleitoral do enteado, a senadora eleita terá margem para construir uma carreira política com mais protagonismo e menos dependente do bolsonarismo.
Ainda que a oposição não tenha conseguido sucesso em impedir a reeleição de Lula, o PL alcançou a maioria do Senado, com 28 senadores, mais de um terço da Casa, e também a maior bancada da Câmara, com 121 deputados federais. Também pode pesar a favor do campo político para a próxima disputa eleitoral o fato de Lula não poder concorrer e ainda não ter um herdeiro político.
Em sinal de distanciamento de Flávio, tanto Tarcísio quanto Michelle não estiveram ao lado do senador quando ele fez um pronunciamento não reconhecendo o resultado da eleição. No início da campanha eleitoral, Michelle fez um vídeo em que criticou Flávio e acusou ele de não o respeitar como liderança política.
Depois, os dois fizeram movimento de reconciliação, mas a ex-primeira-dama nunca se engajou de forma explícita na campanha do enteado, chegando ao ponto de não participar de nenhum evento com ele. Por sua vez, Tarcísio teve um engajamento maior na campanha de Flávio ao longo do segundo turno, mas depois de um primeiro turno distante, quando até aliados de Flávio reconheceram que faltou empenho para o governador.
Apesar disso, tanto Tarcísio como Michelle precisarão chegar a um entendimento com o ex-presidente Jair Bolsonaro, que mantém influência sobre o eleitorado da oposição.
O Globo