Omar Aziz terá ALE aliada, mas deputados terão governador de pulso

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A relação entre o Governo do Amazonas e a Assembleia Legislativa (ALE) deverá passar por uma mudança significativa com a eleição de Omar Aziz (PSD). Depois de oito anos em que os deputados estaduais ampliaram sua influência sobre o Executivo, os parlamentares encontrarão no palácio da Compensa um governador experiente, com trajetória política consolidada e força suficiente para reivindicar o protagonismo das decisões estaduais.

Aziz chegará ao governo com uma vantagem expressiva: o alinhamento político de 22 dos 24 deputados estaduais eleitos em outubro. Mas a ampla maioria não significa necessariamente a continuidade do modelo de relacionamento que marcou as administrações de Wilson Lima (União Brasil), finalizada por Roberto Cidade, do mesmo partido.

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Eleito governador em 2018 sem experiência anterior em cargos eletivos, Wilson Lima construiu uma relação politicamente condicionada pela força da ALE. Ao longo dos dois mandatos, os deputados conquistaram espaços na administração estadual, ampliaram sua influência sobre decisões do governo e consolidaram uma estrutura de poder que ultrapassou os limites do Legislativo.

O exemplo mais expressivo desse protagonismo foi a trajetória de Roberto Cidade (União Brasil). Eleito presidente da Assembleia em dezembro de 2020, Cidade foi reconduzido ao comando da casa e se tornou uma das principais lideranças políticas do estado.

Sua permanência na presidência envolveu sucessivas eleições e chegou a ser objeto de questionamentos no Supremo Tribunal Federal (STF). A ascensão de Cidade ao comando da ALE, aliás, ocorreu inicialmente contra a vontade de Lima.

Na eleição de dezembro de 2020, a candidata preferida do governador era a deputada estadual Alessandra Campelo (PSD), que acabou derrotada por Cidade. A ironia política é que, seis anos depois, Alessandra chega ao palácio da Compensa como vice-governadora eleita na chapa de Omar Aziz.

O episódio ajuda a dimensionar a força que os deputados já exerciam sobre o Executivo desde o primeiro mandato de Lima. O governador não conseguiu eleger sua candidata à presidência da ALE e, posteriormente, passou a ter em Cidade um de seus principais aliados políticos.

A força acumulada por Cidade foi suficiente para transformá-lo no candidato de Lima à sucessão estadual. Antes disso, a renúncia do governador, em março de 2026, abriu caminho para Cidade assumir o comando do Executivo estadual.

O episódio simbolizou o grau de influência alcançado pelo Legislativo durante os governos Lima: o presidente da ALE não apenas se tornou peça central da articulação governista como chegou ao comando do próprio estado. Essa influência também se manifestou na ocupação de cargos e na indicação de aliados políticos para a estrutura administrativa.

Durante a campanha eleitoral, Aziz criticou essa relação. Em uma de suas manifestações, afirmou que um único deputado estadual teria 40 policiais trabalhando em seu gabinete, acusação que utilizou para questionar a distribuição de servidores da segurança pública.

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Aziz conhece os dois lados do poder A nova configuração política terá uma diferença fundamental: Omar Aziz conhece por dentro tanto o Legislativo quanto o Executivo.

Foi vereador de Manaus, deputado estadual, vice-prefeito da capital, vice-governador e governador do Amazonas. No Senado, conquistou projeção nacional, especialmente quando presidiu a CPI da covid-19, em 2021, além de ocupar posições relevantes nas discussões econômicas do Congresso.

É essa experiência que deverá pesar na relação com os deputados. Ao contrário de Wilson Lima, que chegou ao governo sem uma trajetória construída na política institucional, Aziz conhece os mecanismos de negociação parlamentar, as disputas internas da Assembleia e o funcionamento da máquina administrativa.

Sua experiência também lhe dá condições de estabelecer uma relação com o Legislativo sem depender exclusivamente de suas lideranças para construir sustentação política. Isso não significa ausência de negociações ou de concessões aos deputados.

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Maioria de 22 deputados O tamanho da base política é outro elemento favorável a Aziz.

Na segunda-feira, 19 de outubro, deputados estaduais participaram de um encontro de apoio à sua candidatura, consolidando a aproximação entre o senador e a futura composição da Assembleia Legislativa. Dos 24 parlamentares eleitos, 22 chegaram ao final da campanha alinhados politicamente a Aziz, segundo o levantamento de apoios feito pelo BNC Amazonas.

Entre eles está Alcimar Maciel (PL), o cabo Maciel, que, embora pertença ao partido de Maria do Carmo, aproximou-se da candidatura do senador no segundo turno. A posição de Maciel é particularmente significativa porque reduz a oposição inicialmente identificada com o PL, partido que elegeu três deputados estaduais.

Débora Menezes e Péricles Nascimento, chamado de delegado Péricles, ambos do PL, deverão constituir o núcleo mais claramente oposicionista. Já Maciel, mesmo sem formalizar apoio partidário, sinalizou disposição de acompanhar o novo governo.

A eventual composição de uma base com 22 deputados dará a Aziz condições políticas amplamente favoráveis para aprovar projetos, negociar o orçamento e implementar medidas administrativas. Porém, também criará expectativas entre os parlamentares, acostumados, nos últimos anos, a exercer influência direta sobre a estrutura do governo.

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A disputa pelo protagonismo O principal desafio dessa relação não deverá estar na quantidade de votos disponíveis na ALE, mas na distribuição do poder político.

Durante os governos Wilson Lima, os deputados conquistaram espaço na administração e exerceram influência crescente sobre decisões do Executivo. Com Aziz, a tendência é de uma reorganização dessa relação.

O governador terá maioria para governar, mas também autoridade política para estabelecer limites às demandas parlamentares. A ALE, por sua vez, continuará sendo indispensável à aprovação das propostas do Executivo e ao funcionamento da administração estadual.

A questão central será saber até que ponto os deputados estarão dispostos a abrir mão de parcelas da influência acumulada nos últimos oito anos. Aziz chegará ao governo com uma ALE majoritariamente aliada.

Todavia, os deputados encontrarão um governador que conhece o poder, sabe negociá-lo e dificilmente aceitará dividir o protagonismo político nos mesmos termos que marcaram a gestão Wilson Lima. Foto: Robson Corrêa/BNC Amazonas

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