STM torna Roberto Jefferson réu por suspeita de uso de documento falso em registro de armas

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Fonte da notícia: Carta Capital Carta Capital

O Tribunal Militar determinou que a denúncia seja recebida pela primeira instância. Ex-deputado já está em prisão domiciliar, por condenação no STF

O Superior Tribunal Militar determinou, por unanimidade, que a Justiça Militar da União receba uma denúncia do Ministério Público Militar contra o ex-deputado federal Roberto Jefferson por suspeita de uso de documento falso no registro de armas. Com a decisão, tomada na quinta-feira 29, o processo seguirá para a primeira instância e Jefferson passa à condição de réu.

A acusação tem como base duas declarações apresentadas pelo ex-deputado ao Exército, em agosto de 2020 e fevereiro de 2021, durante procedimentos administrativos relacionados ao Certificado de Registro de Caçador, Atirador e Colecionador (CAC). Segundo o Ministério Público Militar, Jefferson teria declarado possuir bons antecedentes e idoneidade moral e afirmado que não respondia a inquéritos ou processos criminais, informações que seriam incompatíveis com sua situação jurídica naquele período.

A investigação começou após uma denúncia anônima encaminhada à Ouvidoria do MPM, em dezembro de 2022. A mensagem apontava que Jefferson mantinha registro ativo de CAC mesmo respondendo a processos criminais e estando em prisão domiciliar.

Também relatava movimentações de seu registro entre Regiões Militares, inclusão de armas e aquisição de munições. Um dos fundamentos da acusação é a condenação de Jefferson no processo do Mensalão, em 2012.

Embora tenha recebido indulto em 2016, o Ministério Público Militar sustenta que a condenação ainda produzia efeitos sobre a avaliação de seus antecedentes. Em março deste ano, a primeira instância da Justiça Militar havia rejeitado a denúncia por entender que não existiam elementos suficientes para iniciar uma ação penal.

O MPM recorreu, argumentando que havia documentos, datas e informações que justificavam a abertura do processo. O STM acolheu o recurso por unanimidade e determinou o prosseguimento da ação.

Roberto Jefferson está preso desde agosto de 2021, quando foi detido preventivamente no âmbito das investigações sobre a existência de uma milícia digital voltada a ataques contra a democracia. No fim de 2024, o STF o condenou a nove anos de prisão por atentado ao exercício dos Poderes, calúnia, homofobia e incitação ao crime.

Em janeiro de 2026, o ministro Alexandre de Moraes declarou extinta a punibilidade do ex-deputado pelos crimes de calúnia e incitação. Com a redução, a pena remanescente passou a ser de sete anos, sete meses e 20 dias, em regime inicialmente fechado.

Segundo documento encaminhado pela Vara de Execuções Penais do Rio de Janeiro ao Supremo, Jefferson já havia cumprido quatro anos e sete meses da sentença. A previsão é que ele encerre a pena em 21 de março de 2029.

A trajetória do ex-deputado no processo também inclui um episódio de violência contra policiais federais. Em outubro de 2022, quando agentes foram cumprir uma ordem de prisão para reconduzi-lo ao sistema penitenciário, Jefferson reagiu com disparos de arma de fogo e lançou granadas contra a equipe.

Atualmente, ele permanece em prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica, passaporte suspenso e proibição de deixar o País. Também está impedido de utilizar redes sociais, inclusive por intermédio de terceiros, conceder entrevistas e receber visitas que não sejam de familiares ou advogados.

Vinícius Nunes Repórter de CartaCapital baseado em Brasília. Cobre os Três Poderes.

Já trabalhou em Jovem Pan, Poder360, UOL, Blog do Noblat, JOTA e SBT News. Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.

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