Startup dos EUA capta R$ 1 bilhão para criar cães de guerra geneticamente modificados

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Uma conversa entre Ben Lamm, fundador da empresa de biotecnologia Colossal, e Palmer Luckey, dono da fabricante de armamentos Anduril, deu origem a uma startup avaliada em US$ 1,2 bilhão antes mesmo do nascimento de seu primeiro animal. A Warhound captou US$ 200 milhões, cerca de R$ 1 bilhão, para clonar e modificar geneticamente cães destinados a missões militares, policiais e de emergência.

A empresa pretende selecionar animais de alto desempenho, reduzir a incidência de doenças hereditárias e equipar os cães com armaduras e sensores desenvolvidos para o campo de batalha. Lamm contou ao TechCrunch que conheceu Luckey há cerca de um ano, durante uma conferência.

O fundador da Anduril disse que a indústria de defesa deveria fazer mais pelos cães enviados a operações perigosas. Os dois continuaram a conversa, e Lamm começou a estudar como esses animais são selecionados e treinados.

O empresário encontrou uma cadeia cara e dependente de fornecedores estrangeiros. Segundo os dados reunidos pela Warhound, mais de 80% dos cães usados pelas Forças Armadas americanas vêm da Europa.

Depois de um processo de compra e treinamento que pode levar três anos, menos da metade é considerada apta para o serviço. Muitos são afastados por predisposição a problemas de visão, câncer, displasia de quadril e atrofia muscular.

A conclusão de Lamm foi que as ferramentas usadas pela Colossal em seus projetos de genética e clonagem poderiam ser aplicadas a esse gargalo. A empresa saiu oficialmente do sigilo nesta quinta-feira (22).

A rodada foi liderada pela Sequoia Capital e reuniu investidores como ARK Invest, Franklin Templeton, 8VC, Breyer Capital, Lux Capital e In-Q-Tel, fundo apoiado pela CIA e por outras agências de inteligência dos Estados Unidos. Do banco genético ao campo de batalha

A equipe da Warhound já recolheu amostras de cães que se destacaram em forças militares, departamentos de polícia e serviços de emergência. As células foram levadas a um banco biológico e servirão de base para a clonagem dos primeiros animais.

Lamm disse à WIRED que a primeira geração será formada principalmente por pastores-belgas-malinois, além de pastores-alemães e labradores. Os filhotes devem nascer no início de 2027.

As primeiras intervenções serão voltadas à saúde. A empresa pretende editar genes ligados a condições comuns nessas raças, entre elas a displasia de quadril, uma doença capaz de provocar dor, comprometer a mobilidade e encerrar precocemente o trabalho de um cão.

Se essa etapa avançar, a Warhound quer buscar características associadas ao desempenho. Ao TechCrunch, Lamm falou em velocidade, agilidade e capacidade de detectar explosivos pelo cheiro.

À WIRED, mencionou uma possibilidade ainda mais ambiciosa: incorporar genes de receptores olfativos de lobos para ampliar o faro dos animais. A proposta aproveita a infraestrutura construída pela Colossal, empresa que ganhou projeção com seus projetos para recriar espécies extintas.

A clonagem ficará a cargo da Viagen, companhia controlada pelo grupo e especializada em reprodução de animais a partir de material genético preservado. A Warhound não pretende entregar apenas o filhote.

O negócio inclui seleção genética, clonagem, treinamento, equipamentos, acompanhamento durante o serviço e destinação depois da aposentadoria. Primeiros cães devem entrar em serviço em dois anos

Além das alterações genéticas, a Warhound pretende equipar os animais com tecnologia da Anduril. O material de lançamento menciona “aprimoramentos cibernéticos”, software e sistemas de consciência situacional, mas não prevê componentes implantados no corpo.

Lamm explicou à WIRED que os cães usarão equipamentos externos, como coletes de proteção, óculos, protetores de ouvido e sensores. Esses dispositivos poderão enviar informações aos condutores durante operações em áreas perigosas.

David Spirk, veterano dos fuzileiros navais e ex-chefe de dados do Departamento de Defesa, será o presidente executivo da Warhound. Ele trabalhou mais recentemente na Palantir, onde atuou na expansão dos negócios da empresa com o governo americano, países aliados e clientes privados.

A Colossal terá participação na startup e licenciará suas tecnologias de genética e clonagem. Luckey e a Anduril não serão acionistas, segundo Lamm.

A fabricante de equipamentos militares participará como parceira tecnológica. A Warhound pretende fornecer os animais às Forças Armadas dos Estados Unidos, a departamentos de polícia e a equipes de emergência.

A empresa ainda não definiu quanto cobrará por cada cão. O programa será desenvolvido sob orientação da American Humane Society, que deverá certificar o treinamento e ajudar na destinação dos animais depois da aposentadoria.

A organização mantém iniciativas de reunião de cães militares com antigos condutores e de encaminhamento para adoção. Lamm disse ao TechCrunch que o primeiro grupo está prestes a entrar no processo de clonagem e gestação.

Os nascimentos são esperados para o início de 2027, e a Warhound pretende colocar os cães em serviço dentro de dois anos. Mais Lidas

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