São Paulo — O Hospital e Maternidade Savalus, situado no bairro da Mooca, na zona leste de São Paulo, emitiu uma nota em resposta aos diversos casos de bebês que morreram após contraírem infecções bacterianas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital, revelados pelo Metrópoles nesta sexta-feira (23/10).
Segundo o Savalus, os pacientes mencionados tinham “condições clínicas distintas” e de “elevada gravidade”. Cada um deles teria recebido “assistência contínua e multidisciplinar, com suporte de uma estrutura hospitalar de alta complexidade e atuação integrada de profissionais de diversas especialidades”.
Ainda de acordo com o hospital, “as condutas terapêuticas foram individualizadas, considerando as necessidades de cada paciente e a evolução de seus quadros clínicos”. A nota encerra com a informação de que a unidade mantém um “canal aberto de diálogo” por meio da diretoria de acolhimento do hospital, que se coloca à disposição para prestar os esclarecimentos necessários, “com respeito à privacidade e ao sigilo médico”.
A Polícia Civil de São Paulo instaurou um inquérito para apurar uma série de mortes de bebês ocorrida ao longo do último ano no Hospital Salvalus. As crianças teriam contraído infecções no ambiente hospitalar e morrido em decorrência de sepse ou choque séptico, além de outras complicações.
O 8º Distrito Policial (Brás) apura seis casos, mas a reportagem teve acesso a 16 certidões de óbitos. Uma advogada, que representa os pais das vítimas, disse estar em contato, ao todo, com 36 mães que perderam os filhos nos últimos meses no hospital — que integra a rede HapVida.
No entanto, o número de mortes pode ser significativamente maior. Alguns dos casos reportados pelo Metrópoles envolvem um bebê que deu entrada com inflamação na garganta e morreu com necrose no pé, um recém-nascido que morreu após paradas cardiorrespiratórias e hemorragia e um bebê que teve infecção bacteriana no cérebro, entre outros.
“Pra todos os efeitos, na rede [HapVida] o Salvalus é o hospital referência. Então, todos os casos vão para lá.
Por isso, a gente não tem noção da profundidade da quantidade de óbitos”, disse a advogada Eduarda Fragnan Gomes, ao Metrópoles. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou à reportagem que os casos, ocorridos nos meses anteriores, foram comunicados nessa quarta-feira (21/10).
“A autoridade policial realiza diligências, inclusive com as oitivas de profissionais de saúde e testemunhas, análise integral dos prontuários médicos, visando esclarecer as causas das mortes”, disse a pasta.
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