Eleições presidenciais no Brasil: A superioridade dialética de Lula

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

Por Salim Lamrani – Durante quase duas horas, Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, os dois candidatos que disputam o segundo turno das eleições presidenciais, confrontaram seus projetos para o futuro do Brasil. O debate foi favorável a Lula, que demonstrou toda a sua experiência, seu domínio dos assuntos, sua capacidade de resposta e sua habilidade de confrontar o adversário com suas próprias contradições.

Logo no início, Lula expôs as fragilidades do candidato de extrema direita na questão da segurança pública. Bolsonaro afirmou que adotaria uma política de tolerância zero, classificaria as organizações criminosas como grupos narcoterroristas e reduziria a maioridade penal para 16 anos.

O presidente não deixou de apontar diversas contradições. Durante o governo de seu pai, Jair Bolsonaro, quase um milhão de armas e um bilhão de munições foram colocados em circulação no Brasil com a autorização do Estado, entre janeiro de 2019 e janeiro de 2022.

Como alguém pode afirmar que pretende adotar uma política de combate rigoroso ao crime organizado e, ao mesmo tempo, favorecer a circulação de armas de fogo no país? Questionado sobre questões econômicas e sociais, Lula destacou os resultados de seus governos.

Quando chegou ao poder, em 2003, o país estava falido, com reservas internacionais praticamente inexistentes e uma dívida pública muito elevada. Durante seus dois mandatos, não apenas quitou a dívida de 30 bilhões de dólares com o FMI, como também deixou 270 bilhões de dólares em reservas internacionais, além de um crescimento econômico de 7,5% em 2010.

Destacou sua política de redistribuição de renda, a criação da categoria de microempreendedor individual, que beneficiou 17,5 milhões de pessoas, o acesso ao sistema bancário para 40 milhões de brasileiros até então excluídos desse serviço, suas políticas de inclusão social, que permitiram às pessoas pobres e às minorias ingressar na universidade, bem como a maior demarcação de terras indígenas desde o governo de Fernando Henrique Cardoso.

Quanto ao seu adversário, limitou-se a prometer ajudar os brasileiros a quitar suas dívidas, ao mesmo tempo em que lançou um ataque pessoal contra Lula, acusando-o de corrupção: “Vou tirar do Lula para dar a vocês”. Diante dessa promessa eleitoral, Lula relembrou o histórico antissocial de Flávio Bolsonaro.

Em 2009, ele foi o único deputado da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, entre 55 parlamentares, a votar contra uma lei que permitia ampliar a licença-maternidade das servidoras públicas. Questionado sobre o assunto, o candidato de extrema direita se recusou a responder, preferindo desviar a atenção com uma série de acusações contra seu adversário.

Afirmou, assim, que a criminalidade havia disparado durante o terceiro mandato de Lula. No entanto, segundo o site Aos Fatos, que realizou uma verificação minuciosa das declarações dos dois candidatos, “esse indicador não disparou durante o terceiro mandato de Lula.

Pelo contrário, a taxa vem caindo desde 2021”. O presidente demonstrou seu poder de resposta naquele que certamente será lembrado como o momento mais marcante do debate.

Recusando-se a responder às perguntas específicas de Lula sobre os escândalos de corrupção nos quais está envolvido, Bolsonaro mais uma vez tentou desviar a atenção com a seguinte pergunta: “Você pode explicar por que 73% dos presos votaram em você?”. A resposta foi imediata: “Eu gostaria que 100% deles votassem em mim, inclusive seu pai!”, em referência ao ex-presidente de extrema direita condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado após sua derrota eleitoral de 2022.

Na área da saúde, o candidato Bolsonaro prometeu criar um prontuário médico eletrônico, mas o site Aos Fatos revelou que “o Brasil já dispõe de sistemas que cumprem essa função”. Também propôs adotar como modelo para o país o Hospital Israelita Albert Einstein, cujo diretor seria nomeado ministro da Saúde.

Lula não deixou passar essa declaração: “Ele quer privatizar o Sistema Único de Saúde”, que se baseia na universalidade, na gratuidade e na integralidade da assistência à saúde. O poder de compra também esteve no centro do debate.

Diante das promessas do candidato de extrema direita, Lula relembrou os números: durante o governo de Jair Bolsonaro, o aumento acumulado dos preços dos alimentos ultrapassou 56%, enquanto em seu governo ficou limitado a 16%. Nesse ponto, o candidato Flávio Bolsonaro anunciou que pretendia aprovar uma lei para permitir que os brasileiros vendessem produtos pela internet e administrassem lojas virtuais, antes que o site Aos Fatos revelasse que essa possibilidade já existe desde… 2016.

A política externa também esteve no centro das discussões. Lula questionou seu adversário sobre suas relações com o governo Trump e perguntou se pretendia entregar às empresas estadunidenses as jazidas minerais e as terras raras do país.

Sem responder à pergunta, Bolsonaro justificou seu apoio ao Escudo das Américas, uma iniciativa militar e de segurança lançada por Washington no continente, que se insere na reafirmação da Doutrina Monroe em detrimento da soberania dos Estados e reúne, entre outros, os governos de extrema direita da Argentina, do Chile, do Equador e de El Salvador.

O presidente Lula demonstrou claramente sua superioridade em todos os aspectos durante esse debate, às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais. Diante dos incessantes ataques pessoais de seu adversário, destacou os resultados de seu governo, apontou as contradições do candidato de extrema direita e lembrou ao povo brasileiro que os atos valem mais do que as promessas.

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