Sete em cada dez consumidores fazem compras por impulso na internet, aponta pesquisa

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Fonte da notícia: Jornal Opção Jornal Opção

Uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, em parceria com a Offerwise, revela que 69% dos consumidores que compraram pela internet fizeram ao menos uma aquisição por impulso nos últimos 12 meses. O levantamento também aponta que 41% dos entrevistados já gastaram mais do que podiam, enquanto 36% contraíram dívidas ou atrasaram o pagamento de contas em decorrência de compras não planejadas.

Entre os jovens de 18 a 28 anos que compram por impulso, o percentual dos que enfrentaram problemas financeiros chega a 45%. Segundo o estudo, promoções, ofertas de frete grátis e conteúdos divulgados nas redes sociais estão entre os principais estímulos às compras impulsivas, comportamento favorecido pela facilidade de adquirir produtos com poucos cliques.

Para Hélia Gonçalves, superintendente executiva da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Goiânia, os dados refletem uma mudança importante na forma como as pessoas se relacionam com o consumo. “Hoje, as redes sociais deixaram de ser apenas um espaço de relacionamento e entretenimento e passaram a ocupar um papel mais relevante na jornada de compra do consumidor”, explica em entrevista ao Jornal Opção.

Promoções e redes sociais estimulam o consumo As ofertas são o principal incentivo às compras não planejadas, mencionadas por 57% dos entrevistados.

O frete grátis aparece em segundo lugar, com 48%, seguido pelos descontos por tempo limitado, citados por 27%. Além disso, 58% dos consumidores que compram por impulso na internet afirmaram já ter adquirido algum produto após assistir a vídeos no Instagram, TikTok ou YouTube.

Entre os itens mais comprados estão roupas, sapatos e acessórios, citados por 37% dos entrevistados, seguidos por comidas e bebidas por delivery (32%) e cosméticos e produtos de beleza (30%). Segundo a superintendente, o processo tradicional de identificar uma necessidade e procurar uma loja para adquirir determinado produto tem dado lugar a uma dinâmica em que a compra pode começar durante a navegação nas plataformas digitais.

Anúncios personalizados, demonstrações de produtos e mecanismos de pagamento integrados facilitam a decisão e reduzem o tempo entre o interesse e a aquisição. “As redes sociais estão muito além do entretenimento.

Elas já funcionam como plataformas de marketplace”, afirma. Para ela, essa transformação representa uma oportunidade para o comércio ampliar sua atuação e alcançar consumidores de diferentes localidades por meio dos canais digitais.

Segundo CDL, os dados refletem uma mudança importante na forma como as pessoas se relacionam com o consumo | Foto: Reprodução Sensação de economia pode incentivar compras desnecessárias

O apelo das promoções e do frete grátis está relacionado à percepção de que o consumidor está aproveitando uma oportunidade de economizar. De acordo com Hélia, em um cenário de restrição do consumo e de pressão sobre a renda, os clientes tendem a prestar ainda mais atenção às ofertas e aos benefícios anunciados.

“O consumidor sempre está olhando para uma necessidade de compra com olhos de oportunidade de economia. Então, se ele vê uma promoção, fica muito mais sensível à compra do que se vê um produto com preço normal”, observa.

A superintendente ressalta que a gratuidade do frete também pode acelerar a decisão, mesmo quando o produto não é necessário naquele momento. A sensação de vantagem financeira, portanto, nem sempre corresponde a uma economia efetiva, especialmente quando a aquisição não estava prevista no orçamento.

Compras por impulso afetam o orçamento familiar O levantamento também chama a atenção para as consequências financeiras e emocionais desse comportamento.

Além dos 41% que reconhecem ter gasto mais do que podiam, consumidores relatam sentimentos negativos após as compras, como arrependimento, culpa e incômodo por terem adquirido produtos sem planejamento. “Essa facilidade de comprar que o ambiente on-line trouxe não significa, necessariamente, que o consumidor esteja fazendo uma boa escolha financeira”, alerta Hélia.

Para evitar problemas, a orientação é avaliar se o produto realmente atende a uma necessidade, verificar se o valor cabe no orçamento e comparar preços antes de finalizar o pedido. “É importante que as pessoas tenham consciência de que uma promoção não representa obrigatoriamente uma economia ou uma necessidade de compra naquele momento”, reforça.

Comércio de Goiânia busca ampliar presença digital Embora a CDL Goiânia não disponha de um levantamento específico sobre compras por impulso na capital, Hélia explica que Goiás está contemplado na amostragem da pesquisa nacional.

Por isso, a tendência observada no país também serve de referência para compreender as mudanças no comportamento dos consumidores goianos. A superintendente destaca que os comerciantes locais têm buscado formas de acompanhar essa transformação.

Recentemente, a entidade promoveu uma palestra sobre o TikTok Shop, com o objetivo de orientar lojistas sobre o uso da ferramenta para divulgar produtos e realizar vendas on-line. Segundo ela, o encontro reuniu quase 200 participantes, interessados em entender como aproveitar as possibilidades do comércio digital.

“Quem não está no digital já não é tão competitivo. O lojista precisa colocar sua marca nesse ambiente, entender como funciona e aproveitar as oportunidades para atrair o consumidor”, avalia Hélia.

A recomendação da CDL é que os empresários invistam em conteúdos que apresentem produtos, demonstrem benefícios e divulguem novidades, sem deixar de lado a qualidade do atendimento. Para Hélia, estar presente nas plataformas digitais é apenas o primeiro passo: é necessário oferecer preços competitivos, promoções relevantes, informações confiáveis e uma boa experiência de compra.

Ao mesmo tempo, a superintendente reforça que os consumidores devem aproveitar as ofertas com cautela. A recomendação é evitar decisões precipitadas, comparar preços e priorizar aquisições compatíveis com a renda disponível.

Dessa forma, as promoções podem representar oportunidades reais de economia, sem comprometer o orçamento familiar. Leia também:

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