O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, por unanimidade, manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano. A decisão interrompe um ciclo de cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual.
A piora nas expectativas de inflação e as incertezas fiscais pesaram na avaliação do comitê, aliado a um quadro externo adverso com os conflitos no Oriente Médio, que pressionam a cotação do petróleo, de acordo com o comunicado.Economistas avaliam que a pausa reforça a credibilidade da autoridade monetária no controle inflacionário, sinalizando que a Selic deve permanecer em um patamar restritivo por um período mais prolongado.
Para Marco Antonio Caruso, economista-chefe do Santander, o Comitê enfatizou que a Selic está “substancialmente contracionista”, o que dá pistas de que a pausa não é um encerramento definitivo do ciclo, mas uma estratégia para controlar as expectativas sem fechar portas. Mas a retirada da expressão “magnitude total do ciclo de calibração” do comunicado pode indicar que a pausa pode se estender para além de dezembro, avalia Cristiano Oliveira, diretor executivo do Banco Pine.Na avaliação da XP, o Comitê aponta que a interrupção nos cortes deve conter as pressões inflacionárias, ressaltando que o Banco Central “não vislumbra, por ora, a necessidade de uma postura de política monetária ainda mais contracionista”.
Ou seja, a pausa deve manter o juro no atual patamar, sem perspectiva imediata de elevação. Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, pontua que a pausa demonstra rigor da autoridade monetária, mas que “a barra para debater alta é elevada. Ou seja, estratégia que ele tem em mente é higher for longer”, diz.
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