Selic alta empurra juros da dívida a 7,76 por cento do PIB

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Fonte da notícia: Cafezinho Cafezinho

O déficit primário do setor público consolidado recuou para 0,52 por cento do Produto Interno Bruto no acumulado de doze meses até setembro de 2026. O número equivale a um quarto do rombo de 2,08 por cento do Produto Interno Bruto registrado em setembro de 2024.

A melhora veio do avanço da arrecadação federal. O reforço de caixa foi sustentado pela expansão da massa salarial com carteira assinada e pela tributação de fundos exclusivos e de aplicações no exterior dos super-ricos.

O balanço do Tesouro Nacional soma as contas da União, dos estados e dos municípios. A trajetória de queda do déficit vale para o conjunto, não apenas para o governo federal.

O resultado primário mede as contas do governo sem os juros da dívida. É por isso que o país consegue fechar o rombo operacional e, ao mesmo tempo, conviver com uma fatura financeira muito maior.

A conta nominal, que inclui os juros, segue bem mais pressionada. A diferença entre um número e outro é justamente o que a Selic infla mês a mês.

A despesa com o pagamento de juros da dívida pública somou 7,76 por cento do Produto Interno Bruto, segundo o Tesouro Nacional no mesmo período de doze meses. O patamar decorre da taxa básica Selic mantida em nível elevado pelo Banco Central.

Cada ponto percentual da Selic vira despesa que consome o orçamento antes de chegar à ponta. A fatura dos juros supera com folga o rombo primário que o país vem fechando.

O valor sai do caixa antes de qualquer real chegar a hospitais, universidades e rodovias. A cada ponto de juro, o Estado deixa de converter recurso em obra e serviço.

A conta dos juros disputa com a saúde, a educação e a infraestrutura o mesmo dinheiro público. É uma escolha de prioridade que não aparece no discurso, mas aparece no orçamento.

A tributação dos super-ricos entrou pela porta dos fundos exclusivos e das aplicações no exterior. São estruturas usadas por grandes patrimônios para adiar ou reduzir o imposto devido.

O governo enquadra a medida como justiça fiscal. O objetivo declarado é ampliar a contribuição de quem concentra mais riqueza.

Os fundos exclusivos atendem a um número pequeno de cotistas de alto patrimônio. A cobrança anual dessas estruturas corrige uma defasagem que beneficiava quem podia esperar.

A expansão do emprego formal também engordou a arrecadação. Cada trabalhador com carteira assinada recolhe contribuição previdenciária e imposto de renda na fonte.

O emprego com carteira cresce há meses e sustenta a receita previdenciária. A economia aquecida reforça o caixa público sem que o governo eleve alíquotas.

Do lado das despesas, o governo preservou os pisos constitucionais da saúde e da educação. O reforço de caixa ocorreu sem aumento de impostos sobre o consumo popular.

A execução financeira do Novo Programa de Aceleração do Crescimento acelerou em rodovias, hospitais e universidades. O investimento público cresce em paralelo à recomposição das receitas.

O arcabouço fiscal fixa uma faixa de equilíbrio para o resultado primário. As contas operacionais do governo caminham para dentro dessa banda, mesmo com a pressão da despesa financeira.

A regra limita o crescimento da despesa a uma fração da receita. O cumprimento depende tanto da arrecadação quanto do custo da dívida.

O ajuste fiscal pode vir de corte de despesa ou de reforço de receita. O governo escolheu a segunda via, com foco em quem tem maior capacidade de contribuir.

A disputa política está na conta que não fecha. A arrecadação progressiva e o emprego formal sustentam o investimento público.

O custo da dívida, por sua vez, concentra no pagamento de juros recursos que poderiam financiar serviços. É essa transferência que define o tamanho real do aperto.

O Banco Central justifica a taxa elevada pelo combate à inflação. O custo dessa escolha recai sobre o orçamento e reduz o espaço do investimento produtivo.

Todo mês de Selic alta amplia a fatura que o país paga antes de investir em saúde, educação e infraestrutura. Quando o Estado paga mais juros, sobra menos para o investimento.

A taxa básica é decidida pelo Banco Central a cada reunião do comitê de política monetária. A trajetória da Selic nos próximos meses define o tamanho da conta que o Tesouro terá de carregar.

O déficit primário pode até zerar. O peso dos juros continuará a definir quanto sobra para o país investir no que a população precisa.

Publicação Original Cafezinho ocafezinho.com
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