O fechamento do Ueno Bank colocou em risco cerca de US$ 60 milhões da Caixa Fiscal do Paraguai, segundo Silvio Piris, presidente da Federação de Educadores do Paraguai (FEP). O dirigente afirmou que a situação deixou o sistema previdenciário dos servidores públicos à beira do colapso e confirmou uma greve nacional de professores a partir desta segunda-feira, com suspensão das aulas nas escolas públicas.
As informações são do jornal paraguaio ABC Color. Os professores cobram garantias do governo para recuperar os recursos previdenciários aplicados na instituição financeira, fechada pelo Banco Central do Paraguai nesta semana após a deterioração de seus indicadores de solvência.
"São US$ 60 milhões em risco de serem perdidos e, com isso, a Caixa Fiscal está praticamente quebrada", afirmou Piris. O dirigente também criticou a possibilidade de perda de recursos que, segundo ele, foram reforçados com um aumento de três pontos percentuais nas contribuições dos trabalhadores justamente para financiar o fundo de aposentadoria.
De acordo com informações do Ministério da Economia e Finanças (MEF) citadas pelo ABC, a Caixa Fiscal tinha US$ 40 milhões aplicados em certificados de depósito de poupança (CDA) no Ueno Bank. Outros US$ 19,8 milhões correspondem a juros que ainda seriam recebidos até 2030.
O governo pediu à Justiça a recuperação desses valores. Greve continua mesmo após saída de Peña
A paralisação havia sido convocada inicialmente em meio aos protestos que exigiam a saída do então presidente Santiago Peña e sua responsabilização judicial pela crise envolvendo o banco. Mesmo após a mudança no comando do governo, os sindicatos decidiram manter a mobilização.
Além da FEP, confirmaram adesão ao movimento o Sindicato Nacional de Diretores (Sinadi), a União Nacional de Educadores (UNE-SN) e as organizações de trabalhadores da educação Otep-Autêntica e Otep-SN. Os professores planejam realizar manifestações em frente ao Congresso, em Assunção, e em outras capitais departamentais do país.
A categoria também exige que o governo assegure a devolução dos recursos do Instituto de Previdência Social (IPS), que mantinha investimentos no Ueno Bank. Piris afirmou que os aposentados do magistério estão entre os mais preocupados com a situação, diante das dúvidas sobre a capacidade de pagamento dos benefícios no futuro.
Segundo o dirigente, a crise também gera insegurança entre os professores que ainda estão na ativa, que temem que o comprometimento dos recursos previdenciários prejudique o acesso à aposentadoria.
O Globo