O complexo soja do Brasil atingiu a receita recorde de US$ 61,14 bilhões no acumulado de doze meses encerrado em outubro de 2026. Os levantamentos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços apontam alta de 18% frente ao ciclo anterior.
Em volume físico, os terminais marítimos do país escoaram 141,70 milhões de toneladas de grãos, farelo e óleo vegetal nesse intervalo. A carga supera com folga a marca precedente e reafirma a hegemonia brasileira no comércio agrícola global.
Somente os embarques do grão in natura renderam US$ 49,35 bilhões no período, um avanço de 17% na comparação anual. O peso total enviado ao exterior passou de cento e quatorze milhões de toneladas graças à colheita cheia e ao escoamento fluido pelos portos.
Evolução da receita do complexo soja do Brasil em 12 meses até outubro de 2026 (grão, farelo, óleo e total). Fonte: ComexStat / MDIC (elaboração: O Cafezinho).
A indústria de processamento instalada no país também ampliou suas vendas externas. O faturamento do farelo subiu 15,2% para US$ 9,31 bilhões, ao passo que o óleo vegetal disparou 60,7%.
A China seguiu como a grande âncora da lavoura nacional ao adquirir mais de oitenta e um milhões de toneladas. As remessas para os portos chineses somaram US$ 35,08 bilhões com alta de 5,9%, respondendo por mais de dois terços da receita.
O fenômeno mais marcante do último ciclo, contudo, foi a multiplicação das vendas para outros mercados da Ásia, da Europa e do mundo islâmico. Enquanto a demanda chinesa cresceu em ritmo moderado, mais de uma dezena de países emergentes dobrou suas compras no Brasil.
No Sul da Ásia, o Paquistão elevou em 138% suas aquisições da oleaginosa brasileira e movimentou US$ 1,29 bilhão no acumulado anualizado. Na mesma região, Bangladesh protagonizou uma expansão de 176,3% para abastecer suas fábricas de ração.
Taxa de crescimento das exportações brasileiras de soja em grão nos principais mercados compradores em 12 meses até outubro de 2026. Fonte: ComexStat / MDIC (elaboração: O Cafezinho).
No Sudeste Asiático, a Tailândia firmou-se no terceiro posto do ranking mundial ao comprar US$ 1,71 bilhão com alta de 17,8%. O Vietnã mais que dobrou suas encomendas no período e já encosta na marca dos mil milhões de dólares.
A procura pelo grão brasileiro também ganhou força no continente europeu sob a liderança da Espanha, segundo maior destino global com US$ 2,06 bilhões e avanço de 41,5%. Nos Países Baixos, principal porta de entrada para as esmagadoras do norte da Europa, o valor importado cresceu uma vez e meia.
Entre o Mediterrâneo e o Oriente Médio, a Turquia avançou 88,4% e adquiriu US$ 1,34 bilhão em soja colhida no Brasil. O Irã ampliou suas compras em quase metade para US$ 890 milhões, acompanhado por saltos superiores a oitenta por cento na Argélia e no México.
Esse movimento conjunto em mais de vinte praças comprova que a agricultura brasileira ocupou o espaço perdido pelos concorrentes dos Estados Unidos. Ao somar a estabilidade chinesa com a disparada de clientes do Paquistão à Espanha, a cadeia da soja adicionou quase dez bilhões de dólares extras à balança nacional.
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