Chuvas torrenciais inundaram, neste sábado (7), as barracas de dezenas de milhares de pessoas deslocadas na Faixa de Gaza, deixando-as sem abrigo, informaram as autoridades deste território palestino devastado pela guerra. O gabinete de comunicação do governo, liderado pelo movimento islamista palestino Hamas, informou que cerca de 70 mil barracas ficaram alagadas devido às chuvas, que também causaram o desabamento de dezenas de paredes e tetos.
Centenas de famílias de deslocados fugiam, neste sábado, dos acampamentos instalados no norte e no centro deste território, assim como na Cidade de Gaza. Imagens da AFP mostram palestinos deslocados retirando, com baldes, a água lamacenta que tingiu de marrom o interior de suas barracas e seus pertences.
"Não conseguimos salvar os colchões e todas as roupas ficaram encharcadas. Nosso sofrimento se repete a cada inverno", explicou à AFP Um Muhamad al Hersh, de 45 anos.
"Não sabemos como proteger nossos filhos. Os meus me perguntam onde vamos dormir esta noite e não tenho resposta", desabafou Maryam Odeh, uma mulher de 34 anos na cidade de Deir al-Balah, no centro do território.
@@NOTICIAS_RELACIONADAS@@ O porta-voz da Defesa Civil, Mahmud Basal, declarou que suas equipes receberam mais de 1.500 chamados durante a noite, feitos por moradores que pediam ajuda urgente após suas barracas serem inundadas.
No entanto, sua agência "opera sem qualquer equipamento ou capacidade", motivo pelo qual lançou "um apelo urgente por socorro à comunidade internacional e às organizações humanitárias". "Não conseguimos lidar sozinhos com as consequências desta tempestade", ressaltou.
Uma coalizão de organizações civis palestinas alertou para o risco de propagação de doenças e epidemias que ameaçam "a vida de centenas de milhares de moradores" e pediu que se "exerça pressão sobre Israel para que permita a entrada de ajuda humanitária sem restrições".
Desde outubro de 2025, vigora em Gaza um frágil cessar-fogo que, teoricamente, pôs fim a dois anos de uma guerra que teve início com o ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023. No entanto, o Exército israelense continua realizando bombardeios e operações terrestres quase diariamente e, segundo autoridades palestinas, ainda restringe a entrada de ajuda.
Mustafa Qazat, responsável pelo comitê de emergência da Faixa de Gaza, afirmou que, desde o anúncio da trégua, não foi possível viabilizar a entrada de moradias pré-fabricadas para os deslocados, tendo sido autorizado o acesso apenas a um número limitado de barracas.
Folha de Pernambuco