247 – A entrevista de Joice Hasselmann ao jornalista Leonardo Attuch, exibida na TV 247, transcendeu o xadrez eleitoral imediato e adentrou o terreno da própria integridade física da ex-deputada federal. Ao justificar por que abandonou a ideia de anular o voto para apoiar publicamente Luiz Inácio Lula da Silva, a jornalista revelou o temor concreto de represálias fatais caso Flávio Bolsonaro chegue ao Palácio do Planalto.
“O que vai acontecer comigo com o Flávio Bolsonaro eleito? Ele pode mandar me matar a qualquer momento. Ele pode mandar me prender se implantar essa ditadura do caos que ele quer fazer.
É desse tipo de gente que nós estamos falando: vingativa, violenta e sem qualquer limite ético ou legal.” O desabafo da mulher que esteve no epicentro do poder em Brasília nos primeiros meses de 2019 reflete anos de convivência direta, rupturas traumáticas e a certeza de que as disputas com a família Bolsonaro nunca se restringiram à arena do debate político.
Perfil implacável e apetite por dinheiro Longe de enxergar o primogênito de Jair Bolsonaro como um moderador ou figura de diálogo com o centro, Joice traçou um perfil inquietante do senador, apontando-o como uma ameaça ainda mais perigosa que a do próprio pai:
“O Flávio é mais inteligente que o pai e muito mais perigoso. O Jair ainda tem uma espécie de intuição política, um faro para algumas coisas, embora seja tosco.
O Flávio não tem esse faro, mas tem uma boca de tubarão para dinheiro. Ele é insaciável.
O que já veio a público até hoje — as mansões incompatíveis com salário parlamentar, os operadores, os negócios escusos — é só a ponta do iceberg. Ele vai querer sempre mais.”
Joice relatou o momento em que esteve pessoalmente em imóveis da família no Rio de Janeiro ainda durante a montagem da chapa de 2018. Disse ter sentido repulsa física imediata ao constatar um padrão de vida absolutamente incompatível com o teto do funcionalismo público:
“Eu saí de lá enjoada, passei mal no aeroporto. Eu passei anos da minha vida como jornalista combatendo a corrupção para ver, dentro da casa daquela gente, a corrupção escancarada.
Ali eu decidi que não andaria ao lado deles.” A sombra do atentado de 2021
O medo verbalizado por Joice está diretamente ancorado no trauma do espancamento que sofreu em julho de 2021, dentro do próprio apartamento funcional em Brasília. O caso, arquivado sob a justificativa pericial de “queda da própria altura”, deixou fraturas no rosto, dentes partidos e a coluna quebrada em cinco lugares.
“Ninguém quebra a coluna inteira rolando da própria cama. Entraram no meu apartamento para me matar ou me deixar paraplégica.
A Abin paralela já me grampeava e monitorava cada passo meu. Estudaram os pontos cegos do prédio, sabiam onde não havia câmeras ativas.
Eu investiguei isso por meses com agentes da minha confiança. O silêncio institucional da época só aconteceu porque eu fui avisada de que seria cassada sumariamente se abrisse a boca sem as filmagens que foram apagadas.”
Ela apontou ainda a cumplicidade de antigos ministros e delegados alinhados ao bolsonarismo que operavam para blindar o clã e abafar investigações contra opositores: “Eles utilizavam o aparelho de Estado como braço de vingança privada.
Usaram a máquina para destruir minha honra nas redes e quase me tiraram a vida fisicamente.” O alerta contra a ilusão da moderação
Diante do cenário de segundo turno e da cooptação de setores da direita tradicional pela campanha bolsonarista, Joice Hasselmann alertou que qualquer tentativa de contemporizar com a família terminará em descarte humilhante — a exemplo do que ocorreu com ela própria e com figuras como o ex-juiz Sergio Moro:
“Ninguém que não carregue o sobrenome Bolsonaro terá vez ou sucessão. Eles não dividem poder.
Quem estiver ao lado deles agora terá que abaixar a cabeça, fingir que não pensa e cumprir ordens. Do contrário, será triturado pelo gabinete do ódio ou eliminado do caminho.”
Ao reiterar que seu posicionamento público custou amizades, apoio econômico e tranquilidade pessoal, Joice reafirmou que a votação no domingo não é sobre simpatias partidárias, mas sobre autopreservação individual e coletiva: “Eu não durmo direito, estou à base de calmantes, porque sei exatamente o que eles são capazes de fazer.
Por isso digo: votar no Lula é a única saída para impedir a barbárie. Pela minha vida e pela vida de quem preza pela liberdade, eu não poderia me calar.”
A íntegra da entrevista e todos os detalhes dos bastidores revelados por Joice Hasselmann podem ser assistidos no canal da TV 247: Joice Hasselmann declara voto em Lula: “Bolsonaro tentou me matar”.
Brasil 247