Estudo não demonstrou se os microplásticos são absorvidos pela corrente sanguínea ou se provocam doenças nos seres humanos a partir da ingestão do cháReprodução/Pixabay Uma xícara de chá pode conter até 2,5 mil partículas de microplástico. É o que aponta o estudo “Microplastic release from plastic tea bags versus bulk tea and migration of bisphenol A and plasticizer esters”, publicado no dia 13 de outubro, com uma avaliação sobre componentes químicos liberados por diferentes sachês de chá.Os cientistas compararam saquinhos de chá feitos de polímeros sintéticos (plásticos, como náilon) com saquinhos de celulose (papel) em um primeiro momento.
Depois disso, os de plástico contra chás a granel.O principal resultado foi a quantidade de microplásticos liberados na xícara no caso dos sachês de polímeros, múltiplas vezes maior que os valores encontrados nas outras amostras. Quantos microplásticos saem de uma xícara de chá?
Partículas liberadas por xícara após 3 minutos de infusão a 95 °C Sachê de polímero sintético (ex.: náilon)
555 a 2.498 Sachê de celulose (papel)
Nenhum microplástico liberado na xícara. Chá a granel (2 g de folhas)
0,3 a 2,4 Provável contaminação ambiental (poeira do ar, maquinário agrícola).
05001.0001.5002.0002.500 partículas Pelo menos 231 vezes mais microplásticos nos sachês de polímero do que no chá a granel.
Os pesquisadores também detectaram bisfenol A (BPA) e plastificantes. Fonte: Pehlivan e Gedik (Universidade Recep Tayyip Erdoğan, Turquia), npj Science of Food, 13/10.
Escala linear. Por: Thiago Sória, iG.
Outras moléculas prejudiciais foram encontradas, como bisfenol A (BPA) e plastificantes, compostos químicos utilizados para a fabricação do plástico.A pesquisa foi conduzida por Necla Pehlivan e Kenan Gedik, da Universidade Recep Tayyip Erdoğan, na Turquia. A dupla também avaliou em que condições acontece maior liberação de substâncias na xícara.Apesar dos resultados, o estudo não demonstrou se os microplásticos são absorvidos pela corrente sanguínea ou se provocam doenças nos seres humanos a partir da ingestão do chá, mas constatou o risco de exposição às partículas.Os autores estimaram possíveis riscos à saúde com base em parâmetros toxicológicos, o que, em geral, se manteve abaixo do nível considerado preocupante, atingindo uma faixa de 4,55 a 21,70% do limite diário tolerável para BPA (conforme EFSA, autoridade europeia).O BPA é uma substância conhecida como “disruptor endócrino”, que pode interferir no sistema hormonal.
Segundo o estudo, a exposição diária tem potencial de induzir complicações não cancerígenas, com destaque para problemas de fertilidade ou da função sexual.Ainda de acordo com o estudo, o risco é mais elevado a grupos vulneráveis, como crianças e gestantes, que são mais sensíveis a susbtâncias com atividade hormonal.
Como funcionou o estudo?A pesquisa foi publicada na revista científica npj Science of Food. Conforme divulgação na Medical Express, os pesquisadores simularam repetidas preparações da bebida com dezenas marcas diferentes, dentre sachês e a granel.Todos ficaram três minutos imersos em água a 95ºC, condições similares ao consumo caseiro.
Já os chás a granel (folhas/sementes soltas) tiveram uma avaliação à parte sobre a quantia de partículas de plástico presentes no material orgânico anteriormente.Para melhorar a semelhança entre as comparações, a pesquisa também realizou a infusão dos chás a granel com 2 gramas de folhas.Os resultados foram marcantes.
Sachês de celulose não liberaram qualquer microplástico na xícara de chá. Os de polímeros liberaram 555 a 2.498 partículas por xícara, enquanto os chás a granel, 0,3 a 2,4 partículas.Ou seja, saquinhos de polímeros liberam pelo menos 231 vezes mais microplásticos do que chás a granel (também conhecidos como “in natura”). E há uma ressalva importante do estudo sobre as partículas em chás a granel: o estudo aponta que provavelmente as partículas foram parar ali por conta de contaminação ambiente, ou seja, da poeira do ar nas plantações ou do atrito com maquinário agrícola.
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