A Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC) marcou para 19 de novembro a votação de uma proposta que pode bloquear ligações de operadoras chinesas para números americanos. O texto atinge China Mobile, China Telecom e China Unicom, as três maiores companhias de telefonia da China, e também provedores que usem equipamentos de Huawei e ZTE, segundo o Tecnoblog.
Na prática, a medida fecha a porta de entrada das ligações internacionais que chegam aos Estados Unidos por essas empresas. A FCC afirma que o bloqueio combate golpes de discagem automática, as chamadas fraudulentas feitas em massa.
A agência já havia barrado as três companhias de oferecer serviços de telecomunicações no país. Golpes por telefone custam bilhões de dólares por ano aos americanos, segundo estimativas do próprio governo dos Estados Unidos.
As fraudes partem de centenas de países, não apenas da China. O caso mais explícito está fora das três gigantes.
A FCC incluiu na lista de restrições a Digitalsystem Technology, empresa sediada nos Estados Unidos, por suposta ligação com operadoras chinesas. O órgão diz que a companhia seria controlada por uma estatal da China.
O governo chinês nega qualquer envolvimento. Para a FCC, o bloqueio protege dados e a infraestrutura de telefonia do país.
A justificativa oficial combina o combate a fraudes e a segurança nacional. Quando a empresa americana entra na lista por causa do controlador estrangeiro, o critério de exclusão deixa de ser a conduta comprovada e passa a ser a origem do fornecedor.
O pano de fundo é a acusação de espionagem. O governo americano afirma que o grupo Salt Typhoon, supostamente ligado à China, roubou registros de chamadas de consumidores e se infiltrou em redes de telecomunicações dos Estados Unidos.
Neste ano, o FBI reiterou que o grupo continua ativo e representa uma ameaça à segurança nacional. O caso alimentou pedidos no Congresso por regras mais duras contra empresas chinesas de telecomunicações.
A China contesta a acusação. Para a Embaixada da China em Washington, a medida pode prejudicar ainda mais o comércio entre os dois países.
O volume de ligações e de negócios entre os dois países é grande. O comércio bilateral movimenta centenas de bilhões de dólares por ano, e empresas e famílias dependem do telefone para fechar contratos e manter contato.
A ofensiva contra as teles chinesas acompanha a escalada tarifária. As taxas sobre produtos chineses chegaram a 145% no segundo mandato de Donald Trump.
Em 2025, o governo chegou a retirar celulares e computadores da lista de sobretaxas, mas manteve ações contra componentes e serviços. O cerco às operadoras também não é novo.
A FCC já retirou autorizações dessas companhias nos últimos anos e colocou Huawei e ZTE em uma lista de fornecedores proibidos. A lista obriga operadoras americanas, inclusive as pequenas, a trocar equipamentos já instalados, com subsídio federal.
As menores, que atendem áreas rurais, dizem que o dinheiro não cobre o custo. A ação contra as teles é parte de um cerco maior.
Washington restringe a venda de chips avançados à China, pressiona aliados a banir a Huawei em redes 5G e limita investimentos em tecnologia chinesa. Cada bloqueio novo empurra governos a escolher entre fornecedores americanos e chineses.
O bloqueio de ligações encarece e fragmenta o serviço. As operadoras chinesas funcionam como portas de entrada do tráfego telefônico que sai da China e chega aos Estados Unidos, e vice-versa.
Sem esse acesso, o tráfego precisa passar por intermediários em outros países. Empresas e famílias que dependem da rota entre os dois países sentem o efeito no preço e no tempo de conexão.
A China concentra a maior base de usuários de telefonia do mundo. A China Mobile é a maior operadora móvel do planeta, com cerca de 1 bilhão de linhas, mais que o dobro da maior operadora dos Estados Unidos.
Brendan Carr, presidente da FCC desde o início do segundo mandato de Trump, defendeu o texto. Ele afirmou que a decisão reforçaria a primeira linha de defesa contra atores maliciosos.
A votação está marcada para 19 de novembro. Se aprovada, a medida amplia o cerco que a FCC já impõe a operadoras e equipamentos chineses.
Quem depende de falar entre os dois países sente o custo da disputa antes de qualquer decisão final.
Cafezinho