O diretor de cinema Andrey Zvyagintsev, premiado no Festival de Cannes deste ano com o filme "Minotauro", que tem a guerra na Ucrânia como pano de fundo, foi designado nesta sexta-feira pelo governo russo como um "agente estrangeiro", de acordo com a agência oficial de notícias Tass. Ele mora no exterior desde a pandemia, mas a designação impõe uma série de limitações dentro do país.
Leia também: Como Putin pode usar a seu favor o resultado das eleições na Rússia? Justiça dos EUA exige aviso prévio de Trump após sinal de que ele quer ‘demolir’ o Kennedy Center Netanyahu acusa documentário sobre Gaza premiado em Veneza de ‘incitação chocante’ contra judeus O rótulo de "agente estrangeiro" tem conotação de espionagem no jargão oficial, e costuma ser aplicado pelo Kremlin a diversas pessoas, entre as quais figuras públicas, por se engajarem em atividades consideradas contrárias ao país e que, segundo a versão do governo, teriam apoio do exterior.
"Minotauro", de Zvyagintsev, recebeu o Grand Prix do Festival de Cannes neste ano. O filme tem como personagem central um empresário russo, em dificuldades financeiras e em crise matrimonial, que precisa decidir qual de seus funcionários deve ser alistado para a guerra na Ucrânia. "Milhões de pessoas em ambos os lados do front sonham com apenas uma coisa: que os massacres parem" , disse Zvyagintsev no discurso de agradecimento pelo prêmio em Cannes, em que afirmou também que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, era a única pessoa em condição de encerrar a guerra. Críticos afirmam que "Minotauro" é um dos mais francos comentários na obra de Zvyagintsev sobre a situação moral e política na Rússia. Ele é conhecido também por filmes como "Leviathan", uma crítica sobre o efeito da corrupção pública na vida privada de pessoas comuns em uma pequena cidade da Rússia. Os russos listados como "agentes estrangeiros" são submetidos a uma série de exigências e restrições de caráter burocrático, e também sobre a renda obtida na Rússia. E são obrigados também a alertar em letras maiúsculas - em tudo o que publicarem, inclusive em redes sociais - de que o conteúdo foi produzido por um "agente estrangeiro". Entre as figuras culturais da Rússia nessa situação estão também o escritor Boris Akunin e o músico de rock Boris Grebenshchikov.
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