Cão espanhol que participou de resgates após terremotos na Venezuela morre depois de dois meses internado

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Um dos cães que participaram das missões de resgate após os fortes terremotos na Venezuela morreu, anunciou a ONG Intervenção, Ajuda e Emergências (IAE) em suas redes sociais. Quino foi um dos cachorros de resgate espanhóis a integrar as equipes que foram para o país sul-americano para reforçar as buscas por sobreviventes, após os fortes tremores que deixaram centenas de mortos, feridos e desaparecidos. De tão feliz, ele apaga: cachorrinho que desmaia de tanta empolgação viraliza nas redes; veja vídeo A três horas de casa: Cão desaparece durante banho e tosa e é encontrado mais de quatro anos depois nos EUA Quino, da raça labrador, tinha cinco anos e foi diagnosticado com uma doença rara para cães nesta idade. Em julho, 48 horas depois de ter retornado ao país, o cão adoeceu e foi internado numa clínica veterinária desde o dia 7 daquele mês. Segundo a publicação da ONG, feita no último domingo (13) para comunicar a morte, Quino sofria de insuficiência renal, mas esse foi apenas um dos problemas de saúde identificados na volta para casa. "Apesar de todos os esforços realizados nesses dias, os últimos exames confirmaram que seu quadro clínico havia piorado novamente e que o dano renal era irreversível", afirmou a organização. "Seu treinador, Pancho, junto com a equipe veterinária, fizeram tudo ao seu alcance por ele. Quino também lutou até o fim, mas desta vez não foi possível", continua a postagem.

Pancho Gerber era o treinador e tutor de Quino. Ele acompanhou todo o tratamento, que após viralizar nas redes sociais, recebeu apoio de pessoas e especialistas, inclusive para custear os cuidados. Todas as doações recebidas acabaram cobrindo integralmente suas despesas médicas, conforme indicado pela ONG. O cão começou a indicar problemas de saúde assim que desembarcou na Espanha, vindo da Venezuela. Um sangramento no nariz foi identificado. Foi feita uma série de exames em diversas clínicas veterinárias de Valência, com passagem por clínicos gerais e cirurgiões. Ele chegou a ser submetido a diversas transfusões e iniciou um tratamento com corticosteroides. Em seus últimos dias, especialistas também diagnosticaram leishmaniose, uma doença parasitária que complicou ainda mais sua função renal. Despedida: Cachorro acompanha sua tutora até o altar e morre poucos dias depois: 'Minha estrela brilhante para sempre' Quino sofreu falência múltipla de órgãos: seu fígado e rins pararam de funcionar, e o dano renal foi fatal. Entretanto, os médicos não conseguiram determinar a verdadeira causa de todo o quadro clínico. Quino entrou na vida de Pancho Gerber, um bombeiro da ONG IAE, quando tinha apenas três meses, após ser resgatado das ruas. Gerber o treinou desde filhote para uma tarefa muito específica: distinguir o cheiro de uma pessoa viva em meio aos escombros e alertar as equipes de resgate com seus latidos. Com esse treinamento, o labrador participou de operações na Turquia — após o terremoto de 2023 — bem como no Brasil, Marrocos e em vários locais em Valência, na Espanha. Seu destacamento mais recente ocorreu em 24 de junho, quando dois terremotos atingiram a costa da Venezuela, causando deslizamentos de terra em La Guaira. Gerber publicou, por meio do perfil da ONG no Instagram, uma homenagem a Quino. No texto, acompanhado por uma foto do cão, o treinador conta que tem enfrentado dias difíceis sem o companheiro e agradece por todo o apoio que recebeu durante o tratamento do cão e após sua perda. Gerber destaca a influência e os aprendizados que Quino deixou por sua passagem.

"Sempre que falamos de companheiros, não fazemos distinção entre pessoas e cães: somos um só. E assim era a nossa relação com Quino, com quem chegamos de muito longe e a quem a Espanha recebeu de braços abertos. Trabalhamos muito. Um cão que conquistou feitos incríveis. Ainda muito jovem, levou-me a competir em um Campeonato Mundial, a participar das mais importantes avaliações internacionais e de operacionalidade. Centenas de viagens, milhares de quilômetros e muitos países percorridos. Tantos momentos, tantas experiências e tantas lembranças", diz um trecho da homenagem. "Dizem que quem pisa firme deixa marcas. E foi assim. A despedida de Quino deixou um vazio imenso, difícil de preencher, mas também servirá para refletirmos sobre o nosso trabalho, sobre o cuidado com os cães de resgate, sobre os riscos dessa atividade e sobre o amor que existe entre um condutor e seu cão", destaca Gerber sobre a influência de Quino. Quino viajou com Gerber e outros dois cães da equipe, Otto e Ron, e trabalhou durante uma semana entre os escombros em busca de sobreviventes. O grupo retornou à Espanha condecorado pelo trabalho realizado e Quino, segundo seu treinador, viajou de volta na cabine do avião, com assento próprio e ar-condicionado.

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