O governo do Rio de Janeiro encaminhou ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) um pacote com pelo menos 17 auditorias internas realizadas ao longo de 2026 pela Controladoria-Geral do Estado (CGE). O TCE havia pedido informações sobre projetos específicos em análise, mas o Executivo ampliou a remessa e enviou documentos de áreas como Saúde, Assistência Social, Mulher, Governo, Envelhecimento Saudável e Trabalho. O acervo entregue ao TCE expõe uma série de irregularidades milionárias e falhas graves de gestão na máquina pública. Entre os casos mais alarmantes estão um aditivo de 45,4% (cerca de R$ 45,2 milhões) em um contrato de pavimentação da Secretaria das Cidades assinado apenas 17 dias após o início das obras, e o pagamento antecipado de R$ 6,1 milhões por cursos online na Secretaria de Trabalho, efetuado antes da conclusão dos serviços. Nesta última, a auditoria cruzou dados e encontrou servidores da própria pasta inscritos em vagas que deveriam ser destinadas a desempregados e informais, além de dezenas de CPFs inválidos na lista de alunos. A lista de alertas da CGE é extensa e atinge diversas frentes do governo. O encaminhamento ao TCE complementa uma outra frente de investigações, revelada pelo jornal O Globo nesta sexta-feira (18). O governo interino concluiu 30 auditorias referentes a contratos que somam pelo menos R$ 2,6 bilhões firmados sob a gestão do ex-governador Cláudio Castro. As apurações foram encaminhadas ao Ministério Público do Rio de Janeiro e, devido a foro privilegiado, um dos casos envolvendo Douglas Ruas (ex-secretário das Cidades e atual candidato ao governo pelo PL) e o deputado federal Altineu Côrtes (presidente regional do PL) foi remetido à Procuradoria-Geral da República.
O documento aponta um "circuito de relações interligadas" entre as famílias Ruas e Côrtes: enquanto Ruas comandava a secretaria e concentrava investimentos em São Gonçalo, onde seu pai é prefeito, a pedreira da família de Altineu Côrtes atuava como fornecedora substancial de asfalto. Os dois defendem as investigações e negam irregularidades. Há ainda indícios de contratações diretas e emergenciais baseadas em pesquisas de preços frágeis apontados nos documentos enviados ao TCE-RJ: sobrepreço de 29,9% no serviço de bufê da Secretaria da Mulher, dependência tecnológica em um contrato de R$ 13,7 milhões do Hospital Pedro Ernesto (UERJ), contratação de empresa com sócios devedores do estado na UENF e falta de justificativa técnica na contratação de quase R$ 50 milhões da Fundação Cesgranrio pela Secretaria de Governo, entre outros pontos que serão analisados pelo corte de contas.
CBN