Risco de ataque com drone do Irã levou à retirada de bombardeiros dos EUA de base britânica; sétimo suspeito é preso

Risco de ataque com drone do Irã levou à retirada de bombardeiros dos EUA de base britânica; sétimo suspeito é preso - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

Os Estados Unidos retiraram abruptamente na segunda-feira todos os 12 bombardeiros B-1 da Força Aérea de uma base aérea no sul da Inglaterra com base em novas informações recebidas por comandantes sobre um possível ataque com drones ordenados pelo Irã. A movimentação foi feita apenas um dia antes de a polícia do Reino Unido prender, em Londres, um homem de 22 anos sob suspeita de preparação de atos terroristas na mesma base.

Contexto: Homem é preso por suspeita de terrorismo em caso sobre incidente de segurança em base no Reino Unido Quer ler mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp Quer morar fora? Veja guia interativo que reúne informações sobre 36 países O suposto ataque fazia parte de um plano iraniano com várias frentes para atingir aeronaves e matar algumas centenas de militares americanos estacionados na RAF Fairford, base usada por americanos para atacar a República Islâmica desde o início da guerra dos EUA e Israel contra o Irã, em fevereiro. Todos os bombardeiros da Força Aérea foram retirados durante o fim de semana, disseram autoridades americanas. A ordem de retirada foi considerada altamente incomum: movimentações desse tipo raramente são realizadas com tanta rapidez a partir de uma base aérea de um país aliado em tempos de paz, a milhares de quilômetros de uma zona de combate. A necessidade de retirada foi considerada tão urgente que, segundo as fontes, algumas aeronaves e tripulações partiram enquanto aviões de abastecimento aéreo ainda estavam sendo mobilizados para ajudar na operação.

Algumas autoridades disseram acreditar que o plano foi vagamente inspirado em um ataque lançado pela Ucrânia contra a Rússia no ano passado, quando drones foram contrabandeados para regiões do interior do território russo e lançados a partir de caminhões. O ataque destruiu ou danificou pelo menos uma dúzia de aeronaves, incluindo vários bombardeiros estratégicos russos com capacidade nuclear, em pistas na Sibéria e no extremo norte da Rússia.

Entenda: Possível plano de ataque contra base usada pelos EUA no Reino Unido levanta suspeitas de ligação com Irã, que nega O presidente americano, Donald Trump, disse na segunda que pessoas ligadas ao Irã representavam uma ameaça aos bombardeiros na base aérea britânica, o que levou à ordem de retirada. No mesmo dia, o vice-presidente JD Vance afirmou que o Pentágono retirou os bombardeiros “por excesso de cautela, tentando proteger” o pessoal militar. Ele acusou o Irã de planejar ataques contra os EUA, mas não deu detalhes: — Acreditamos, com certo grau de confiança, que os iranianos estão tentando fazer aquilo que o Estado iraniano faz há 49 anos, que é praticar atos de terrorismo contra os EUA e também contra muitas outras pessoas. Estamos sendo extremamente cautelosos.

Detalhes sobre a possível ameaça que motivou a rápida retirada dos bombardeiros da Força Aérea — alguns dos quais haviam chegado apenas na semana anterior, como parte de uma rotação regular de forças — continuam pouco claros. Uma autoridade americana afirmou que as novas informações faziam parte dos mesmos alertas sobre ameaças que surgiram três semanas antes, embora a sensação de urgência tenha aumentado no fim de semana entre os comandantes.

Entenda: Investigação descarta explosivos em possível plano de ataque à base britânica, e cresce confusão sobre o caso A retirada ocorreu uma semana após a polícia britânica prender cinco homens que viajavam, na madrugada de 27 de setembro, em vans brancas nas proximidades da base. Eles foram libertados sob fiança um dia depois, após autoridades não encontrarem explosivos nas vans. A polícia, porém, afirmou repetidamente que os homens continuam sob investigação, e um cidadão com dupla nacionalidade britânica e iraniana foi preso na quinta-feira.

Já nesta terça-feira, um sétimo suposto envolvido foi preso em Londres. O premier britânico, Andy Burnham, disse na semana passada que seu governo acreditava que o Irã tinha um papel no planejamento dos acontecimentos que levaram às prisões. Autoridades no Reino Unido, EUA, Alemanha e em Israel acreditam que a operação está ligada à Guarda Revolucionária Islâmica do Irã ou a um comando militar separado em Teerã. O Irã nega as acusações.

Na segunda-feira, o porta-voz de Burnham se recusou a comentar operações militares de outros países. Questionado sobre se a base aérea estava segura, ele respondeu que sim e fez referência a uma declaração dada na semana anterior pelo secretário britânico de Defesa, Wes Streeting, que descreveu “métodos testados e comprovados para defender nossas bases” no Reino Unido e no mundo.

Acusado: Homem é preso por suspeita de terrorismo em investigações sobre caso em base no Reino Unido Autoridades vêm tentando esclarecer uma sequência incomum de acontecimentos envolvendo Fairford na última semana, incluindo as prisões, a retirada de pessoas às pressas de 85 residências, o uso de um robô antibombas para procurar explosivos nas vans e uma reunião de segurança nacional convocada por Burnham.

Em julho, a Guarda Revolucionária do Irã divulgou um comunicado alertando que permitir que os Estados Unidos utilizassem a base “torna Londres responsável” pelas ações americanas: “Qualquer base usada para lançar ataques contra o território iraniano”, dizia o comunicado, “é um alvo legítimo para nossas forças.” Em setembro, comandantes militares americanos receberam um alerta de agências de inteligência dos EUA e de outros países ocidentais, segundo autoridades americanas informadas sobre o assunto: a RAF Fairford era alvo de um possível ataque apoiado pelo Irã. Depois disso, a preocupação entre autoridades de toda a Europa aumentou. Segundo uma alta autoridade americana, Israel alertou a Alemanha de que bases americanas no país estavam sob risco elevado, mencionando especificamente as bases aéreas de Spangdahlem e Ramstein.

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