Parlamentares republicanos se juntaram a democratas no Congresso dos Estados Unidos para pressionar o presidente Donald Trump a restabelecer sanções contra a Rússia e cancelar o acordo com o ditador Vladimir Putin que permite a venda de diesel russo ao mercado internacional. A mobilização ganhou força após o governo americano suspender a aplicação de novas punições econômicas contra Moscou, depois de fechar um acordo com o Kremlin para aumentar a oferta de diesel no mercado internacional e tentar conter a alta dos preços dos combustíveis nos Estados Unidos, às vésperas das eleições legislativas de 3 de novembro.
Segundo a agência Reuters, nesta quinta-feira (22), 22 deputados americanos, sendo 17 democratas e cinco republicanos, enviaram uma carta a Trump exigindo a aplicação integral das sanções aprovadas pelo Congresso em setembro. Entre os republicanos que assinaram o documento estão os deputados Brian Fitzpatrick, Michael McCaul, Don Bacon, Joe Wilson e Dan Newhouse.
Eles argumentam que a redução da pressão econômica pode beneficiar o regime russo enquanto a guerra na Ucrânia continua. "Putin tem demonstrado repetidamente que responde à pressão, não à boa vontade", afirmaram os parlamentares.
Na carta, eles também defenderam que as punições sejam aplicadas "em sua máxima extensão e sem demora". A pressão começou depois que Trump autorizou, no início deste mês, a comercialização de diesel russo para tentar reduzir os preços dos combustíveis.
No dia 16, o presidente assinou um decreto suspendendo a aplicação de novas sanções previstas em uma lei aprovada pelo Congresso no mês anterior. A legislação, que recebeu o nome do falecido senador republicano Lindsey Graham, prevê punições contra autoridades, bancos e empresas russas, além de tarifas de até 100% sobre produtos do país e medidas contra governos que financiam indiretamente a guerra.
A própria lei permite ao presidente suspender determinadas sanções por razões de interesse nacional. Em uma outra carta enviada a Trump, 12 senadores, sendo seis republicanos e seis democratas, também pediram o cancelamento do acordo sobre o diesel russo.
"Permitir que Moscou venda diesel russo livremente nos mercados globais prejudica os interesses de segurança dos Estados Unidos e é uma traição ao povo da Ucrânia", escreveram os senadores. Segundo eles, o acordo dará ao Kremlin novas receitas para financiar a guerra.
Até mesmo o presidente da Câmara dos Representantes, o republicano Mike Johnson, aliado de Trump, já manifestou preocupação com a medida. Durante entrevista à emissora Fox News, no domingo (18), ele afirmou que o Congresso havia aprovado as sanções por ampla maioria e que pretendia discutir as consequências da suspensão com a Casa Branca.
"Entendemos que Putin não é confiável. Ele demonstra isso repetidamente", declarou Johnson.
O deputado republicano Brian Fitzpatrick também ameaçou abrir investigações no Congresso sobre as restrições impostas ao Starshield, sistema de comunicação militar da Starlink desenvolvido pela SpaceX, de Elon Musk, e utilizado pelas forças ucranianas. No último dia 14, autoridades de Kiev denunciaram que o serviço havia sido restringindo aos equipamentos do país, o que prejudicou operações de drones usados para atacar alvos russos e interceptar aeronaves inimigas.
Integrantes do governo ucraniano suspeitam que as restrições tenham sido impostas deliberadamente para pressionar Kiev a interromper os ataques contra refinarias de petróleo russas, como exigia Trump. Washington negou que o presidente americano tenha determinado a medida.
Musk, por sua vez, afirmou que o Starshield é controlado pelo governo dos Estados Unidos. Fitzpatrick prometeu responsabilizar os envolvidos, caso a restrição tenha sido deliberada.
O deputado afirmou que poderá convocar audiências públicas e propor cortes de recursos de órgãos americanos que tenham participado da decisão. Em resposta à Reuters, a porta-voz da Casa Branca Taylor Rogers afirmou que o presidente busca encerrar a guerra e poderá voltar a aplicar as sanções quando considerar necessário para os interesses americanos.
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Gazeta do Povo (Mundo)