247 – Lideranças da esquerda francesa alertaram para os possíveis efeitos internacionais de uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial brasileira. Em um artigo de opinião publicado nesta quinta-feira (22) pelo jornal francês Le Monde, dirigentes de diferentes correntes da esquerda sustentam que o avanço da extrema direita no Brasil pode favorecer a legitimação de projetos políticos semelhantes na Europa, especialmente às vésperas da disputa presidencial francesa de 2027.
Entre os signatários estão Jean-Luc Mélenchon, fundador do partido França Insubmissa, Marine Tondelier, dirigente dos Ecologistas, e Fabien Roussel, do Partido Comunista Francês. No texto, os líderes afirmam: “Cada vitória da extrema direita no exterior torna mais aceitável essa possibilidade em nosso país”.
O posicionamento foi divulgado três dias antes do segundo turno das eleições brasileiras, marcado para domingo (25), quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta Flávio Bolsonaro, filho do ex-mandatário Jair Bolsonaro. Para os signatários, o resultado do pleito pode repercutir no cenário político europeu e favorecer forças que defendem pautas nacionalistas e conservadoras, além de manterem uma relação de confronto com instituições democráticas.
A preocupação está ligada à eleição presidencial francesa de 2027. O Reunião Nacional, partido de extrema direita liderado por Marine Le Pen, pretende ampliar sua presença política e disputar o comando do país.
Nesse contexto, os dirigentes franceses avaliam que uma vitória bolsonarista poderia ser usada como exemplo de viabilidade eleitoral por movimentos semelhantes na Europa. Brasil tem peso no debate internacional
Segundo a RFI, a dimensão econômica e diplomática do Brasil ajuda a explicar a atenção dedicada à eleição. Como maior economia da América Latina, o país exerce influência nas relações regionais, nas negociações climáticas e nas articulações políticas do continente.
Uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro poderia modificar a orientação internacional do governo brasileiro e aproximar Brasília dos Estados Unidos sob a presidência de Donald Trump. Essa possibilidade preocupa setores da esquerda europeia, que consideram a cooperação internacional um instrumento de resistência ao avanço da direita radical.
A política ambiental também integra as preocupações. A Amazônia ocupa lugar central nas negociações climáticas internacionais, e eventuais mudanças nas regras ambientais, na demarcação de terras indígenas ou na exploração de recursos naturais poderiam produzir efeitos para além das fronteiras brasileiras.
Outro ponto é a preservação das instituições democráticas. Os ataques de 8 de janeiro de 2023, em Brasília, e a condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado mantiveram a relação entre os Poderes e a proteção do sistema eleitoral no centro do debate político nacional.
Governo Bolsonaro permanece como referência A experiência do governo Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2022, tornou-se uma referência nos debates europeus sobre a extrema direita.
Os conflitos com o Judiciário, os questionamentos às instituições e os ataques ao sistema eleitoral brasileiro são acompanhados por partidos e analistas interessados em compreender a atuação desses movimentos quando chegam ao poder. A candidatura de Flávio Bolsonaro também evidencia a continuidade da influência política do bolsonarismo.
Mesmo após a derrota eleitoral de seu principal representante e a condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, o movimento mantém presença no Congresso e na sociedade brasileira. Para os dirigentes franceses, uma vitória de Flávio poderia ser apresentada pela direita radical europeia como demonstração de que projetos políticos semelhantes continuam capazes de conquistar o poder pelo voto.
Brasil 247