Conjugada ao Datafolha que confirma, com o empate cravado em 50% a 50%, a tendência de alta consistente do presidente Lula na disputa eleitoral, a entrevista da ex-deputada Joice Hasselmann ao jornalista Leonardo Attuch, do Brasil 247, gera um fato novo com força suficiente para barrar novos votos a Flávio Bolsonaro e convencer indecisos a se somarem à candidatura à reeleição.
Colhi esta avaliação em longa reunião hoje, com marqueteiros e pesquiseiros engajados em diferentes campanhas eleitorais no primeiro turno, iniciada antes da divulgação dos números do Datafolha e das denúncias da ex-deputada sobre agressões físicas e armação pelo seu assassinato articulada, como ela diz, pelo então presidente Jair Bolsonaro.
Até a explosão, para usar uma expressão janoniana, da bomba de Joice e do resultado do Datafolha, a leitura de situação era a de que Lula irá precisar do debate na TV Globo, marcado para esta sexta-feira, 22, para ganhar os votos que lhe faltam para suplantar o extremista radical na linha de chegada da eleição.
Isso prevalece. Ocorre que Lula tem, agora, mais munição.
Após a revelação das duas notícias de forte impacto eleitoral, as hipóteses de virada de Lula sobre Flávio cresceram em gênero, número e grau entre os analistas com os quais estive. Na consideração desses profissionais, que já participaram de diferentes eleições, com mais vitórias do que derrotas, Lula ganhou hoje em duas frentes – nos percentuais de voto e no conteúdo das denúncias da ex-deputada.
O presidente terá, apontam, novas informações contra o adversário no encontro derradeiro da campanha. Entrará com segurança, enquanto o oposto, por onde quer que olhe, não terá em que se apoiar para sustentar um discurso propositivo que, de resto, não foi mostrado até aqui.
O tigrão do debate da Band dará lugar, agora, a um assustado tchutchuca. As denúncias de Joice acirram o medo que tem tomado conta do público sobre os riscos de o Brasil ser tomado por vilões que não têm respeito pela vida, pelas leis e pelos bons costumes.
A orgia ‘al mare’ na qual Flávio Bolsonaro ganhou um relógio Rolex, avaliado em dezenas de milhares de reais, para encaminhar a compra milionária de vacinas superfaturadas durante a epidemia de Covid 19 pelo governo de seu pai, igualmente aumenta a pilha de crimes nos quais ele está diretamente envolvido.
Ao Boa Noite 247, a experiente e reeleita deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) cravou: “Ele será preso de um jeito ou de outro”, disse ela sobre as duas possibilidades colocadas nas urnas do domingo, 25. “Flávio Bolsonaro está presente em todos, sem exceção, os escândalos que vieram à tona nessa campanha”.
A associação explícita entre Flávio e o jogador Willer Diniz, suspeito de lavar nada menos que R$ 5 bilhões em jogos na bet da Loterj, é um caso do qual o filho de Bolsonaro terá muitas dificuldades de se desvencilhar, tantos são os rastros deixados pelo caminho de anos de operações obscuras.
O consenso entre os especialistas em eleições que ouvi hoje é o de que o debate global será decisivo para que muitas dessas verdades venham à tona em rede nacional. Anota-se com ênfase nesse circuito que as grandes manifestações populares registradas ao longo de todo o segundo turno igualmente ganharam impulso.
As cenas da massa na rua estão, com efeito, empolgando setores antes afastados do debate. O crescimento do número de indecisos, registrado fortemente pela pesquisa Quaest, indica, segundo os técnicos, um movimento de migração de votos a caminho do 13.
O ‘Exército de Lula’, criado pelo deputado André Janones, foi citado, à unanimidade, como um elemento espetacular a favor da retomada do presidente rumo à vitória. Nas informações de bastidores políticos que emolduraram a troca de ideias, registrou-se que o coordenador político da campanha bolsonarista, Rogério Marinho, precisou passar a mão no telefone, ao longo desta semana, para convocar deputados e senadores eleitos que ‘foram para a praia’ em lugar de fazer campanha pelo candidato de extrema direita em seus estados.
As hostes bolsonaristas não estão tão alinhadas como se faz parecer. Pessoalmente, temo pela voz do presidente na arena global.
Ele precisou de repouso para recuperá-la dos esforços desenvolvidos durante toda a campanha. A torcida é para que esteja bem.
No conteúdo, Lula entra no campo televisivo com o moral em alta, sustentado pelos atos gigantescos em sua solidariedade e acelerado pelos fatos novos que ressaltam a sua trajetória de alta nas pesquisas. Com toda a dramaticidade que cerca uma vitória que promete ser histórica, o candidato à reeleição pode ter iniciado nesta quinta-feira, 22, uma atropelada, como se diz no turfe, imparável até o disco final.
Brasil 247