O rei Carlos III classificou o comércio transatlântico de escravizados como “injustiça monstruosa” e “capítulo vergonhoso” da história britânica ao abrir, nesta terça-feira, 3 de novembro de 2026, a 28ª cúpula de chefes de governo do Commonwealth, em Antígua e Barbuda. O encontro reúne líderes dos 56 países-membros da organização.
“O comércio transatlântico de pessoas escravizadas ainda projeta uma sombra sobre estas ilhas e outros membros do nosso Commonwealth”, disse o monarca. “Aquele capítulo vergonhoso da história enche meu coração de horror e minha alma da mais profunda tristeza pessoal.”
Carlos III não se desculpou pelo papel do Império Britânico no tráfico e não mencionou reparações. Preferiu defender olhar para o futuro, para que “o mal não tenha a última palavra”.
“Não podemos mudar as ações de quem veio antes de nós. Podemos, porém, aprender com o passado”, afirmou.
O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, presente na cúpula, já afirmou que poderia estar aberto a um pedido de desculpas. A preparação do encontro foi dominada por discussões sobre desculpas oficiais e reparações financeiras pedidas por países africanos e caribenhos.
Burnham anunciou ainda um investimento de 48,2 milhões de euros, cerca de R$ 300 milhões, em infraestrutura crítica no Caribe nos próximos três anos, além de defender a renegociação das dívidas de países menores do Commonwealth. Os britânicos ingressaram no tráfico de escravizados no século 17 e rapidamente superaram outras potências europeias.
O país organizou quase um terço de todas as viagens transatlânticas de escravização, com transporte forçado de mais de 3,2 milhões de africanos, principalmente para colônias no Caribe e na América do Norte. O comércio foi proibido para súditos britânicos pela Lei do Comércio de Escravos de 1807 e abolido em todo o Império Britânico pela Lei de Abolição da Escravidão de 1833.
O Commonwealth reúne em grande parte ex-colônias britânicas e responde por cerca de 15% da economia global, com PIB combinado de aproximadamente 14,5 trilhões de dólares. A pauta das reparações seguirá no centro dos debates da cúpula, que se estende pela semana.
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