Quem trabalha no alto-forno da Vetorial em Ribas do Rio Pardo (MS) perde a usina em 11 de dezembro porque as fábricas de celulose e de etanol de milho compram o eucalipto antes

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O aviso foi enviado na quarta-feira (4) ao Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Siderúrgicas de Corumbá, o STISC, e foi revelado pelo JD1 Notícias na quinta-feira (5). A empresa diz que o fechamento vai levar a desligamentos de funcionários.

Quantos serão, em quais funções e em que datas, ainda não foi divulgado. O motivo principal apontado pela siderúrgica é a falta de carvão vegetal, que depende de uma madeira hoje disputada por gigantes de outros setores.

O alto-forno da Vetorial funciona com carvão vegetal, feito a partir de madeira de eucalipto. É ele que fornece o calor e o carbono para transformar o minério de ferro em gusa.

Segundo a empresa, a concorrência pela madeira com setores como a celulose e o etanol de milho comprometeu o fornecimento regular e economicamente sustentável da matéria-prima. As fábricas de celulose usam o eucalipto como fibra.

As usinas de etanol de milho queimam biomassa de eucalipto nas caldeiras. As duas atividades cresceram em Mato Grosso do Sul.

O próprio município de Ribas do Rio Pardo abriga a fábrica de celulose da Suzano conhecida como Projeto Cerrado, que puxou para a região uma enorme demanda por florestas plantadas. A Vetorial afirma que enfrenta o problema há cerca de um ano.

Nesse período, chegou a avaliar alternativas, como usar matérias-primas importadas no lugar do carvão local. Segundo o comunicado ao sindicato, a empresa não conseguiu estabelecer condições viáveis de abastecimento com essas opções, e a conta deixou de fechar.

Além do carvão, a siderúrgica citou o cenário econômico nacional, os custos operacionais e logísticos e a retração de segmentos da cadeia siderúrgica e mineral como fatores que pesaram. A previsão é interromper a produção em 11 de dezembro de 2026, pouco mais de um mês depois do aviso ao sindicato e a duas semanas do Natal.

A empresa afirma que nenhum desligamento ligado ao fechamento será efetivado antes da intervenção sindical, ou seja, antes da negociação com o STISC. O sindicato foi chamado para uma reunião em que a Vetorial vai apresentar o número de trabalhadores afetados, as funções e o cronograma das demissões, além de medidas para reduzir os impactos.

O número atual de empregados não foi divulgado. Como referência, a unidade chegou a gerar cerca de 194 empregos diretos quando foi retomada, em 2021, segundo o JD1.

A empresa considera a possibilidade de aproveitar parte dos profissionais em outras atividades ou instalações do grupo, mas não detalhou quantos nem onde. Para uma cidade do interior de Mato Grosso do Sul, uma usina que chegou a ter quase 200 empregos diretos pesa no comércio, no transporte e na arrecadação local.

A unidade de Ribas do Rio Pardo já tinha passado por uma parada antes. Em 2021, foi reativada pela Vetorial, e a retomada trouxe de volta empregos diretos à cidade.

Em 2022, o CPG mostrou que a Vetorial projetava produzir 550 mil toneladas de ferro-gusa a partir do carvão em Mato Grosso do Sul naquele ano. Quatro anos depois, a mesma matéria-prima que sustentava o plano virou o motivo do fechamento, porque a floresta passou a ter compradores maiores.

O ferro-gusa é o produto que sai do alto-forno depois que o minério de ferro é derretido com carvão. É a base para fazer aço e peças fundidas.

Em Mato Grosso do Sul e em Minas Gerais, boa parte das usinas independentes de gusa usa carvão vegetal em vez de coque de carvão mineral, o que as deixa dependentes de florestas plantadas. Quando o eucalipto fica caro ou escasso, o custo do gusa sobe junto, e usinas menores, sem floresta própria suficiente, são as primeiras a sentir.

O anúncio da Vetorial chega na mesma semana em que a Gerdau confirmou o fim da produção de aço em Divinópolis (MG), com impacto sobre cerca de mil empregos. Os motivos apresentados pelas duas empresas são diferentes, e a Vetorial põe a falta de carvão vegetal no centro.

Para quem trabalha no forno, o resultado é parecido. Os próximos passos dependem da reunião com o STISC, em que devem sair a lista de cargos atingidos, o calendário dos desligamentos e as condições oferecidas a quem sair.

Também fica em aberto o destino dos fornecedores de madeira e de carvão da região, que perdem um comprador quando o alto-forno apagar. Até lá, a usina segue produzindo, e quem trabalha nela tem pouco mais de um mês para saber se será transferido, desligado ou aproveitado em outra função.

Na sua opinião, o eucalipto de Mato Grosso do Sul deveria ter alguma regra para não faltar às siderúrgicas da região? Conta pra gente nos comentários.

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