Cerca de 500 trabalhadores da mina da Cedro em Mariana (MG) saem de férias coletivas em 9 de novembro porque o frete do navio encareceu, dois meses depois de a mineradora ganhar a licença para a expansão de R$ 3,5 bilhões

Cerca de 500 trabalhadores da mina da Cedro em Mariana (MG) saem de férias coletivas em 9 de novembro porque o frete do navio encareceu, dois meses depois de a mineradora ganhar a licença para a expansão de R$ 3,5 bilhões - Foto
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A decisão foi anunciada nesta quinta-feira (5). Segundo a empresa, o motivo é o encarecimento do frete marítimo e a incerteza no comércio internacional, que pesam sobre quem exporta minério.

A parada chega dois meses depois de a mineradora receber as licenças ambientais para multiplicar a produção da mesma mina, num projeto de R$ 3,5 bilhões. A unidade de Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, continua funcionando normalmente, de acordo com a companhia.

As férias coletivas começam em 9 de novembro e valem por 15 dias, segundo o Diário do Comércio. O prazo pode ser prorrogado, segundo a empresa.

O jornal mineiro fala em prorrogação até completar 30 dias. Já o portal O Fator informa que as férias podem ser estendidas por mais 30 dias.

A medida atinge cerca de 500 trabalhadores da mina, contando funcionários diretos e indiretos, conforme a nota que a mineradora enviou ao Diário do Comércio. A empresa não anunciou demissões.

O que está suspenso, por enquanto, é a extração e o beneficiamento de minério de ferro no complexo de Mariana. Na nota, a Cedro cita conflitos em rotas marítimas importantes, tensões comerciais entre grandes economias e o aumento dos custos de navegação internacional como fatores que apertaram o negócio.

“Nos últimos meses, conflitos em importantes rotas marítimas, tensões comerciais entre grandes economias e o aumento dos custos operacionais da navegação internacional têm pressionado os fretes”, diz o texto da empresa. Segundo a mineradora, esse quadro também reduziu a previsibilidade para quem exporta commodities e tem levado companhias de vários setores a rever cronogramas de investimento.

O Fator registra outra frase do comunicado: o aumento dos custos logísticos globais “tem afetado a competitividade de empresas exportadoras”, como é o caso de quem vende minério de ferro para fora. A Cedro afirma que a suspensão permite alinhar o calendário de operação da mina ao cronograma de implantação da expansão, que ainda vai começar a sair do papel em Mariana.

Em setembro, a empresa obteve de uma vez as licenças prévia, de instalação e de operação do projeto de ampliação, segundo o Diário do Comércio. Quando a licença saiu, o CPG mostrou que a Cedro previa R$ 3,5 bilhões para ampliar a mina de Mariana e mais de mil empregos diretos e indiretos.

Pelo projeto, a capacidade de beneficiamento da unidade sobe de cerca de 2,5 milhões para 10 milhões de toneladas por ano de minério de ferro bruto, de acordo com o Diário do Comércio. A produção anual pode chegar a 5,5 milhões de toneladas de pellet feed, o minério fino e concentrado usado como matéria-prima das pelotas que abastecem os altos-fornos das siderúrgicas.

A mineradora estima gerar mais de mil empregos, entre diretos e indiretos, quando a mina ampliada estiver na fase de operação. A empresa não informou, até agora, se o cronograma da obra mudou.

A outra mina da Cedro, em Nova Lima, segue em operação normal. Segundo o Diário do Comércio, a unidade produz cerca de 4 milhões de toneladas de minério de ferro por ano.

Para comparação, O Fator calcula a capacidade atual de Mariana em cerca de 3 milhões de toneladas por ano, número um pouco acima dos 2,5 milhões citados pelo outro jornal para o beneficiamento. Ou seja, a parada desta segunda-feira tira do mercado a menor das duas operações da empresa, enquanto a de Nova Lima continua abastecendo os clientes.

Segundo informações do site da própria mineradora citadas pelo O Fator, a Cedro gera em Mariana cerca de mil empregos diretos e outros 1,5 mil postos indiretos. Os indiretos estão em atividades como o transporte do minério por caminhões e serviços prestados à mina, o que espalha o efeito da parada por fornecedores da região.

Os números das duas fontes não batem: a nota da empresa fala em 500 atingidos pela parada, enquanto o site cita 2,5 mil postos ligados à unidade. A Cedro não é a primeira.

Pelo levantamento do Diário do Comércio, pelo menos cinco mineradoras de ferro reduziram atividades em Minas Gerais nos últimos meses, todas citando o mercado. No início de setembro, a Usiminas paralisou sem previsão de volta uma das plantas em Itatiaiuçu.

Segundo o sindicato dos trabalhadores, a medida causou 280 demissões diretas. Dias depois, a Itaminas deu férias coletivas a 300 funcionários da unidade de Sarzedo, que voltaram ao trabalho em 28 de outubro, segundo o jornal.

No fim de setembro, a CSN Mineração reduziu temporariamente a produção de minério de baixa qualidade no complexo de Pires, em Ouro Preto, sem informar se houve impacto em empregos. No começo de outubro, a Cabo Verde Mineração suspendeu sem previsão de retorno a produção entre Cabo Verde e Muzambinho, no Sul de Minas, com cerca de dez desligamentos.

Também em outubro, a JMN Mineração anunciou a suspensão da produção entre Piracema e Desterro de Entre Rios, na Região Central do estado, conforme o levantamento. Em todos os casos, as empresas apontaram o cenário de mercado entre os motivos para frear a lavra ou fechar unidades no estado.

O sinal veio também da maior mineradora do país. Na sexta-feira (30), o presidente da Vale, Gustavo Pimenta, disse que a empresa estuda reduzir em até 5 milhões de toneladas os volumes de minério de ferro em 2027.

A conta, segundo O Fator, considera tanto a produção própria quanto o minério que a Vale compra de terceiros, o que pode afetar mineradoras menores que vendem para ela. Para as cidades mineradoras de Minas Gerais, menos minério saindo das cavas costuma significar menos caminhões nas estradas e menos serviço para os fornecedores locais.

A pergunta que fica para Mariana é se a pausa termina em 15 dias, se será prorrogada ou se vira uma parada mais longa até a obra da expansão andar. A Cedro disse que a medida é temporária e não falou em cortes.

A próxima comunicação da empresa ao sindicato e aos trabalhadores deve dizer quando a lavra volta. Até lá, cerca de 500 pessoas ficam em casa numa cidade que depende da mineração para boa parte dos empregos e da receita da prefeitura.

Você acha que a parada da Cedro em Mariana vai durar só 15 dias ou o frete caro vai segurar a mina por mais tempo? Conta pra gente nos comentários.

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