Quem é Rubens Ometto, o “velho” apontado como controlador do Estadão por sócio de Vorcaro

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Nas mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e o empresário Flávio Carneiro, que era sócio do banqueiro em operações de mídia, sobre a relação do Banco Master com o Estadão, um nome aparece diversas vezes: Rubens Ometto. Em um dos casos, no diálogo, Flávio Carneiro chama Ometto de “o velho”.

Constante é o papel atribuído ao empresário: em todas as mensagens ele aparece como um interlocutor com influência sobre as decisões editoriais do Estadão. Ometto passou a ter lugar de destaque no jornal paulista após capitanear a emissão milionária de debêntures que tirou o Estadão da bancarrota iminente.

Ao todo, o jornal captou R$ 142,5 milhões junto a bancos e empresas. A soma possibilitou uma sobrevida ao grupo de comunicação, que acumulava uma dívida de R$ 159 milhões e esteve a ponto de quebrar, com rumores de que pediria recuperação judicial.

Fundador e presidente do conselho do Grupo Cosan, Ometto é um nome mais do que conhecido na Faria Lima. Ele provoca turbulências no mercado financeiro há, pelo menos, duas décadas.

Sua posição política é a coluna do meio. Para onde o poder aponta, ele faz investimentos.

Tanto que é o maior doador de campanha desde 2018, como revelou o Metrópoles. Em 2018, Rubens Ometto declarou publicamente voto em Jair Bolsonaro.

Quatro anos depois, quando da eleição de Lula, ele declarou-se para o presidente de turno. Como mostrou o próprio Metrópoles à época, o empresário mimou o presidente com uma garrafa de vinho Pêra-Manca, da safra de 2014 (avaliado em R$ 6 mil).

O regalo foi acompanhado de um simpático cartão: “Caro Presidente, conforme prometido, espero que goste!!! Abraços”, escreveu o empresário à mão. Antes de assumir uma posição no Estadão, o empresário enfrentou acusações de insider trading na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), citações na Operação Lava Jato, sanções por infrações trabalhistas e rigorosas restrições antitruste do Conselho Administrativo do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Logo depois, mergulhou no ápice da tensão com o mercado financeiro. A alavancagem extrema da Raízen — join venture entre a Cosan e a Shell — resultou em uma recuperação extrajudicial bilionária e na exigência dos credores e acionistas pela saída de Ometto do comando do conselho de administração da companhia.

Para evitar que o barco afundasse, o Estadão instalou à bordo uma âncora. Além disso, Ometto lidera o ranking de doações eleitorais para candidatos de variados partidos políticos, buscando manter influência sobre regulamentações e leis do setor de energia e logística.

A Cosan atua nos setores de energia, logística e agronegócio. Como mostrou o Metrópoles, em conversa com Daniel Vorcaro, o empresário Flávio Carneiro diz que o banqueiro está “em casa” no Estadão e afirma que Rubens Ometto estaria no comando do Estadão.

Vorcaro envia para Flávio Carneiro um link que trata da operação de emissão de debêntures promovida pelo Estadão e questiona: “Como ficamos fora disso”. O empresário responde: “Você tá sabendo disso desde o dia 1 desse projeto.

O Rubens ometo que tá por trás de tudo isso. Vi acontecer na sala da casa do Geraldo [Samor, fundador do Brazil Journal] .

Eles iam quebrar e o Rubens é inimigo declarado do Frias”. Frias é sobrenome da família que controla a Folha de S.Paulo.

O diálogo segue. Vorcaro reafirma que não sabia e lamenta: “Agora já foi.

Oportunidade ímpar. De blindar lá”.

Flávio Carneiro responde: “Não tem o que entrar. Ele fez tudo sozinho.

Tá há 6 meses montando isso para mascarar mas é tudo Ometo”. Flávio Carneiro continua: “E você entra na hora que você quiser.

Quem coordena isso tudo é o Geraldo e o Marcelo [executivo do grupo Cosan]”. E completa: “Você tá mais em casa do que você imagina ali”.

Exatamente nos meses de março e maio de 2024, o Estadão promoveu uma operação milionária de emissão de debêntures. À época o jornal esteve a ponto de quebrar, com rumores de que pediria recuperação judicial.

Como revelou o Metrópoles, a operação deu sobrevida ao grupo de comunicação, que acumulava uma dívida de R$ 159 milhões, e transformou bancos e grandes empresários — como Ometto — em credores do Estadão. Em troca, os novos investidores ganharam assentos no conselho de administração do jornal centenário e passaram a ter influência editorial no veículo.

A operação das debêntures se perfectibilizou da seguinte forma: uma primeira emissão de R$ 45 milhões (em março de 2024) e outra de R$ 97,5 milhões (em maio de 2024). Na primeira rodada, Itaú, Bradesco e Santander investiram R$ 15 milhões cada.

O Estadão só precisa começar a pagar esses empréstimos em 2034, prazo que pode ser prorrogado até 2044. A segunda rodada foi capitaneada, como o Metrópoles revelou em março deste ano, justamente, por Rubens Ometto, que colocou R$ 15 milhões no jornal.

Outras oito empresas participaram da operação. Confira:

Cosan: R$ 15 milhões Hapvida: 15 milhões Votorantim: R$ 15 milhões Ultra: R$ 7,5 milhões Unipar: R$ 7,5 milhões Pátria Investimentos: R$ 7,5 milhões JHSF: R$ 7,5 milhões Galápagos Capital: R$ 7,5 milhões Santalice Administração Ltda. (Cutrale): R$ 15 milhões

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