247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, fez duras críticas à Meta, empresa responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp, e afirmou que a gigante da tecnologia terá de mudar sua atuação. Em meio às acusações de que as plataformas digitais estariam prejudicando sua campanha eleitoral, o petista declarou que pretende enfrentar o poder das grandes empresas de tecnologia e defendeu regras mais rigorosas para combater crimes praticados na internet.
As declarações ocorrem em um momento de crescente confronto entre a campanha de Lula e a Meta, acusada pelos representantes do presidente de reduzir o alcance de suas publicações e favorecer a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pelo Palácio do Planalto. “A gente vai provar agora que a gente vai derrotar o império digital.
A Meta vai ter que ser reinventada porque ela não pode achar que pode enganar a humanidade todo tempo. Ela já enganou muito.
Agora ela vai ter que se enquadrar nos bons costumes e boas maneiras. A comunidade é para viver em comunidade, a gente cuidar”, afirmou Lula durante uma transmissão ao vivo com o deputado federal André Janones nesta quinta-feira (22).
A declaração representa uma intensificação das críticas do presidente ao funcionamento das plataformas digitais, especialmente em relação à influência que essas empresas exercem sobre a circulação de informações e o debate político durante as eleições. Campanha de Lula acusa Meta de favorecer Flávio Bolsonaro
O embate ganhou dimensão jurídica após a campanha petista recorrer mais de uma vez ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para questionar a atuação da Meta durante a disputa presidencial. Os representantes de Lula sustentam que a empresa estaria prejudicando a distribuição de conteúdos publicados pelo presidente e, ao mesmo tempo, beneficiando a candidatura de Flávio Bolsonaro, seu adversário no segundo turno.
As acusações envolvem diretamente o alcance das publicações nas redes sociais, que se tornaram instrumentos importantes para a divulgação de propostas, mobilização de apoiadores e comunicação dos candidatos com o eleitorado. A Meta, por sua vez, rejeita as acusações de favorecimento político.
A empresa afirma ter adotado medidas para assegurar tratamento igualitário e não discriminatório às duas candidaturas. Dessa forma, enquanto a campanha petista questiona a atuação da companhia perante a Justiça Eleitoral, a empresa sustenta que suas medidas buscam garantir condições equivalentes aos concorrentes.
Lula defende punição para crimes cometidos na internet Além das críticas à Meta, Lula voltou a defender a regulamentação das plataformas digitais, argumentando que condutas criminosas praticadas no ambiente virtual precisam receber o mesmo tratamento previsto para delitos cometidos fora da internet.
O presidente rejeitou a associação entre regulamentação e censura e afirmou que a liberdade de expressão deve estar acompanhada de responsabilidade. “Ou a gente toma atitude muito séria e começa a discutir uma regulamentação sem censura de que qualquer crime na internet seja tratado como crime da vida real.
As pessoas têm que ser punidas e isso não tem nada de fim de liberdade de expressão. Queremos liberdade de expressão com responsabilidade.
Já fizemos a regulamentação, o ECA Digital, que é a melhor regulamentação já feita em qualquer país do mundo”, declarou. “O que queremos é liberdade de expressão com responsabilidade”, ressaltou.
Ao mencionar o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, conhecido como ECA Digital, Lula apresentou a legislação como exemplo de iniciativa brasileira voltada à responsabilização das plataformas e à proteção dos usuários no ambiente virtual. A defesa de novas regras também reforça a posição do presidente de que a atuação das empresas de tecnologia deve estar submetida à legislação brasileira, especialmente quando envolve a prática de crimes e a circulação de conteúdos nas redes.
Confronto ocorre na reta final da eleição presidencial As declarações acontecem a poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo, 25 de outubro, em uma disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Nesse cenário, o alcance das mensagens políticas nas plataformas digitais passou a ocupar lugar central nas preocupações das campanhas, sobretudo diante da importância das redes sociais para a comunicação direta com os eleitores.
Brasil 247