Com a chegada das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, conhecidas como midterms, marcadas para a próxima terça-feira (3), os partidos Republicano e Democrata voltam a disputar o controle do Congresso americano, em uma tentativa de expandir as suas visões de mundo. A professora Flavia Loss, do curso de Relações Internacionais do Instituto Mauá de Tecnologia, explica que a principal diferença entre os Democratas e os Republicanos está na pauta econômica, em especial no tamanho que o Estado deveria ter dentro do país.
Na teoria, os republicanos tendem a ser mais favoráveis à redução de impostos, à desregulamentação e aos estímulos ao setor privado, enquanto os Democratas apoiam maiores investimentos públicos e proteções aos trabalhadores. Ainda assim, Loss explica que essa dualidade não assemelha às noções de "direita" e "esquerda" existentes na política brasileira.
"Pensando em agenda econômica, se o papel do Estado deveria ser menor ou maior, por exemplo, os democratas defendem que seja maior, mas não é o maior que os brasileiros entendem como esquerda" A especialista explica que ao longo das décadas, os Republicanos e os Democratas foram "se transformando em dois partidos gigantes e foram absorvendo outras tendências políticas".
Porém, "por conta da Guerra Fria, a esquerda americana desapareceu. Até tinha um partido comunista nos EUA, mas ele acabou sumindo do ambiente político e os democratas absorveram algumas dessas pautas", explica Loss.
O mesmo vale para as matérias de costumes, nas quais os democratas acolhem temas mais progressistas, como os direitos de pessoas LGBTQIAPN+, enquanto os republicanos reúnem visões mais conservadoras. A agenda internacional dos dois partidos também tende a ser diferente, com os democratas sendo mais favoráveis a intervenções externas, enquanto os republicanos defendem o "America First", ou "América Primeiro".
"O próprio [Donald] Trump retoma essa ideia de que 'nós precisamos nos importar com o que tem aqui dentro e não nos metermos nos problemas dos outros'. Apesar do Trump ter uma agenda externa ativa, ela é muito focada em interesses dos EUA, no que traz benefício para os EUA", afirma Loss.
"Já os democratas têm aquela percepção dos EUA como uma espécie de polícia do mundo, eles acham que os EUA têm uma responsabilidade enquanto superpotência com o resto do mundo."
Globo