Um protesto de caminhoneiros italianos contra os preços dos combustíveis e o custo de vida está provocando escassez de alimentos no comércio, com interrupções nas entregas e produtos frescos apodrecendo, disseram varejistas nesta quarta-feira (21). Leia também: Após protestos, Macron promete ordem na França e chama críticas externas de ‘estúpidas’ Crise de confiança nas instituições é global
Os protestos, que começaram no sul da Itália na semana passada, também prejudicaram as operações de pelo menos dois aeroportos regionais na Calábria, que não conseguem receber entregas de combustível de aviação.
Com o trânsito congestionado em várias partes do país, longas filas se formaram na rodovia A1, perto da cidade de Nápoles, no sul, depois que caminhoneiros restringiram o acesso.
Caminhões e tratores entraram na praça central da cidade de Ravenna, no nordeste do país, à medida que os protestos se espalharam e agricultores se juntaram às manifestações.
O grupo ANCD-Conad, que representa varejistas que operam sob a marca de supermercados Conad, afirmou que grandes quantidades de produtos perecíveis, incluindo frutas e verduras, além de leite e carne, estavam retidas em caminhões e armazéns.
"A liberdade de protestar não pode significar comprometer o direito dos cidadãos de receber alimentos frescos ou destruir o valor criado pelas cadeias de abastecimento agroalimentar da Itália", disse o presidente do grupo, Maurizio Pelliconi.
O gabinete da primeira-ministra Giorgia Meloni planeja se reunir na quinta-feira para aprovar um pacote que reúne medidas de auxílio a caminhoneiros e agricultores, informou seu gabinete em comunicado.
O governo reservou cerca de 1 bilhão de euros (US$ 1,1 bilhão) neste ano para ajudar os caminhoneiros a enfrentar a disparada dos custos dos combustíveis e substituir veículos antigos por modelos menos poluentes.
O vice-ministro da Infraestrutura, Edoardo Rixi, pediu o fim dos protestos, afirmando que eles também estavam prejudicando o abastecimento de hospitais, e alertou que o governo estava preparado para adotar uma postura mais dura contra os transportadores.
"Se alguém está infringindo a lei, então, em determinado momento, a lei precisa ser aplicada", disse ele a jornalistas.
Em meio às fortes tensões provocadas pelas dificuldades econômicas na Itália, episódios de violência no fim de semana levaram grupos formados principalmente por jovens a promover depredações em Milão e outras cidades do norte do país.
O governo respondeu na terça-feira com um novo decreto de segurança voltado a infratores menores de idade. Veículos bloqueiam uma rua em Palermo durante um protesto de caminhoneiros contra a disparada dos custos dos combustíveis e do transporte REUTERS/Igor Petyx
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