A produção mineral do Pará cresceu mais de 50% entre 2010 e 2024, enquanto a brasileira avançou cerca de 18,6% no mesmo período. Os dados integram o primeiro Relatório ESG 2026 — Retrato da Mineração na Amazônia, intitulado de 'Carta Santarém' e lançado nesta terça-feira (20) pelo Sindicato das Indústrias Minerais do Estado do Pará (Simineral), com informações ambientais, sociais e de governança de dez empresas associadas.
Em 2024, o estado produziu cerca de 302,7 milhões de toneladas de minerais, equivalentes a 18,4% da produção brasileira. O levantamento situa o Pará como a segunda maior província mineral do país em volume produzido. Minas Gerais, tradicional líder nacional, registrou retração de aproximadamente 8,4% entre 2010 e 2024.
A iniciativa foi desenvolvida pelo setor mineral em parceria com o governo estadual, por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas). Segundo o presidente executivo do Simineral, Emerson Rocha, o documento reúne mais de 40 indicadores de sustentabilidade.
“É um trabalho muito importante de transformar os dados da mineração em informação para a sociedade, para que a gente consiga construir cada vez mais um legado importante para o estado do Pará”, afirma Emerson Rocha.
Emerson Rocha, presidente executivo do Simineral (Carmem Helena / O Liberal)
Presente no lançamento, o secretário adjunto de Gestão e Regularidade Ambiental do Pará, Rodolpho Zahluth Bastos, destacou que relatórios desse tipo costumam ser encaminhados a acionistas e ao setor financeiro. Para ele, o desafio é tornar essas informações acessíveis também à população local.
“De que forma a gente transforma esse instrumento, consolida essas informações para que haja transparência para a sociedade local, e não somente 'para o inglês ver'? Infelizmente, existem práticas irregulares de mineração nesse estado, e a gente precisa separar o joio do trigo”, afirmou o secretário.
Rodolpho Zahluth Bastos, secretário adjunto de Gestão e Regularidade Ambiental do Pará (Carmem Helena / O Liberal)
Mineração paraense alcança R$ 103 bilhões em 2025
O relatório estima em aproximadamente R$ 103 bilhões o valor econômico da produção mineral paraense em 2025, cerca de 34,5% do faturamento mineral brasileiro. No mesmo ano, o Pará arrecadou aproximadamente R$ 5,5 bilhões em Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), o equivalente a cerca de metade da arrecadação nacional.
Os investimentos sociais obrigatórios e voluntários das empresas associadas somaram R$ 2 bilhões em 2025. Esse é um dos temas do levantamento, que também contempla contratação de mão de obra e fornecedores locais, direitos humanos, diversidade e segurança do trabalho.
Na área ambiental, o documento reúne indicadores sobre licenciamento, proteção de áreas e biodiversidade, uso da água, clima e energia. O eixo de governança aborda gestão de barragens e resíduos industriais, preparação para emergências e práticas de sustentabilidade do setor.
Carta Santarém nasceu de compromisso firmado em 2025
O nome do documento remete ao município onde empresas e governo estadual assumiram o compromisso público de divulgar os indicadores, durante um congresso técnico realizado em 2025. A referência a Santarém está ligada à origem do pacto, e não a um recorte exclusivo sobre a mineração no oeste paraense.
“Nada mais justo que nós escolhermos um local que represente, de fato, a Amazônia. Santarém foi o local que nós escolhemos dentro do congresso para compor esse material”, explica Emerson Rocha.
Dados voluntários formam base para acompanhamento
A sigla ESG abrange critérios ambientais, sociais e de governança. As informações reportadas voluntariamente pelas dez empresas associadas ao Simineral foram complementadas por bases públicas, como as da Agência Nacional de Mineração (ANM), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Semas.
O relatório será disponibilizado no site e nas redes sociais da entidade. Também está prevista uma apresentação na Suíça, na semana que vem, para interlocutores da agenda internacional de sustentabilidade.
“Dar essa transparência e credibilidade é super importante no mercado internacional, para que, além da sociedade global, os investidores entendam que é um local seguro e responsável investir em mineração na Amazônia”, afirma Emerson Rocha.
Mineração no Pará em números
Mais de 50%: crescimento da produção estadual entre 2010 e 2024 18,6%: avanço da produção brasileira no mesmo período 302,7 milhões de toneladas: produção mineral paraense em 2024 18,4%: participação do Pará no volume nacional em 2024 R$ 103 bilhões: valor estimado da produção estadual em 2025 R$ 5,5 bilhões: arrecadação paraense de CFEM em 2025 R$ 2 bilhões: investimentos sociais obrigatórios e voluntários das empresas associadas em 2025 Dez empresas: forneceram dados voluntariamente ao levantamento Mais de 40 indicadores: compõem o retrato de sustentabilidade, segundo o Simineral
Fonte: Relatório ESG 2026 — Retrato da Mineração na Amazônia e Simineral
O Liberal