Os contratos futuros das Bolsas americanas caíram, e o dólar perdeu valor enquanto os investidores começaram a ver os resultados das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos e ainda avaliavam os balanços de empresas de tecnologia que estão no centro da onda de investimentos em inteligência artificial (IA).
Os contratos futuros do índice S&P 500 recuaram 0,7% na noite desta terça-feira, revertendo uma alta inicial de 0,5%, enquanto os do Nasdaq 100, que concentra empresas de tecnologia, caíram 1,3%. O dólar perdeu valor em relação a todas as outras moedas do G10, grupo das dez principais moedas de economias avançadas.
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Já o rendimento dos títulos de referência do Tesouro americano com vencimento em dez anos caiu seis pontos-base, para 4,91%. O índice MSCI Ásia-Pacífico recuou 0,5%.
A plataforma de previsões Kalshi apontava uma probabilidade de aproximadamente 99% de os democratas conquistarem o controle da Câmara dos Representantes (como são chamados os deputados nos EUA) e de cerca de 95% de vencerem a disputa pelo Senado, indicando a possibilidade de o partido assumir o controle das duas casas do Congresso.
Em um primeiro sinal dessa tendência, o senador democrata Jon Ossoff — que ganhou projeção dentro do partido com discursos em que acusa Trump de usar o cargo para ampliar seu patrimônio pessoal — teve sua reeleição projetada na Geórgia. O resultado representaria uma derrota para o candidato escolhido pessoalmente pelo presidente Donald Trump e aumentaria as chances de o Partido Democrata conquistar o controle do Senado americano.
O senador democrata Jon Ossoff durante evento de campanha em Decatur, na Geórgia, na véspera das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, em 2 de novembro de 2026 Megan Varner/Getty Images/AFP
Essa projeção de vitória democrata na disputa pelo Senado na Geórgia aumentou a tensão no mercado financeiro. Os investidores temem mudanças na política econômica americana com o enfraquecimento da base parlamentar de Trump.
Sem maioria na Câmara e no Senado, presidente terá mais dificuldades de aprovar suas medidas econômicas vistas pelos analistas como pró-mercado. — As primeiras notícias e os mercados de previsão sugerem uma probabilidade crescente de uma onda azul, com vitórias democratas — afirmou Andrew Ticehurst, estrategista sênior de juros do Nomura Holdings, em Sydney.
— Esse cenário é geralmente considerado negativo para o dólar e positivo para os títulos do Tesouro americano. Os mercados estão reagindo de maneira compatível com essa expectativa no início das negociações na Ásia.
Impacto global Investidores de todo o mundo acompanham os resultados das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, já que o desfecho poderá influenciar os preços dos ativos em diversos segmentos do mercado acionário, com repercussões nos mercados de todo o mundo.
Wall Street espera uma queda das Bolsas caso os democratas recuperem o controle das duas casas do Congresso. A votação foi encerrada na Geórgia e na Carolina do Sul, dois estados com disputas decisivas para o Senado.
Olhar estrangeiro: 'No fiscal, importante é ter estratégia na direção correta', diz CEO da BlackRock no Brasil — Uma vitória democrata nas duas casas do Congresso provavelmente seria o resultado menos desejável para as ações de tecnologia e para os ativos de risco de maneira mais ampla — afirmou Tim Waterer, analista-chefe de mercado da KCM Trade, em Sydney.
— Um Congresso dividido, ou uma manutenção inesperada do controle republicano, proporcionaria maior continuidade das políticas econômicas e provocaria menos turbulência. Ainda assim, sob uma perspectiva histórica mais ampla, o desempenho das ações após as eleições de meio de mandato costuma ser positivo.
Desde 1982, as ações de grandes empresas registraram valorização média de aproximadamente 15%, quando ponderadas pelo valor de mercado, e de 16%, quando consideradas com pesos iguais, nos seis meses seguintes às eleições, segundo dados compilados pelo Morgan Stanley. Em ambos os critérios, os ganhos chegaram a aproximadamente 22% no período de um ano após a votação.
S&P 500 oscila em faixa estreita desde julho O índice S&P 500 subiu 0,4% no pregão regular desta terça-feira, enquanto o Nasdaq 100 avançou 0,7%, recuperando parte das perdas que haviam levado o indicador ao território de correção na segunda-feira.
As fabricantes de semicondutores tiveram desempenho ainda melhor. O índice Philadelphia Semiconductor subiu 2,6%, após uma recente onda de vendas provocada por preocupações com a dimensão dos investimentos em inteligência artificial.
Mudança tensa: Supermercados vão à Justiça para barrar brechas nas regras do vale-alimentação e vale-refeição Os investidores obtiveram novas indicações sobre a força do setor de inteligência artificial ao analisar o balanço da Advanced Micro Devices (AMD), divulgado após o fechamento do mercado nesta terça-feira.
A empresa, sediada em Santa Clara, na Califórnia, e uma das principais concorrentes da Nvidia no mercado de chips para IA, apresentou uma projeção de receita superior às estimativas dos analistas, demonstrando que a demanda por processadores destinados a centros de dados permanece elevada.
Separadamente, a Super Micro Computer projetou uma receita para o trimestre atual acima das expectativas dos analistas e elevou sua previsão de vendas para o ano, sinalizando a continuidade da forte demanda pelos servidores da companhia equipados com chips de inteligência artificial.
Compasso de espera: Com incerteza sobre ajuste fiscal, empresas adiam ofertas de ações para 2027 Muitos operadores do mercado esperam que as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos funcionem como um evento capaz de eliminar parte das incertezas que têm limitado o desempenho do S&P 500, negociado em uma faixa estreita desde julho.
As preocupações com o resultado eleitoral se somam aos receios persistentes com a alta dos juros americanos e a guerra no Oriente Médio. Na avaliação do UBS Securities, as ações americanas podem estar próximas de uma recuperação no fim do ano, já que fatores sazonais favoráveis e o baixo posicionamento dos fundos de hedge criam condições para uma possível alta após as eleições de meio de mandato.
— Os balanços das gigantes de tecnologia que operam grandes infraestruturas de computação em nuvem claramente não deram aos investidores o sinal de tranquilidade que eles esperavam. Mas a conclusão das eleições poderá ser o catalisador capaz de desencadear uma onda de compras e impulsionar o mercado no fim do ano — escreveu Davide Montoni, chefe de vendas de derivativos de ações institucionais e estratégias quantitativas de investimento (QIS) para as Américas do UBS Securities, em nota enviada a clientes.
O Globo