Petroleiras multiplicam lucro com guerras e cortam investimento em produção

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Fonte da notícia: Cafezinho Cafezinho

A ExxonMobil dobrou o lucro do terceiro trimestre, a Chevron triplicou o resultado e a BP registrou o maior lucro trimestral de sua história. As três gigantes do petróleo embolsaram o prêmio das guerras que levaram o barril e as margens de refino a máximas em anos e agora escolhem cortar dívida e recomprar ações em vez de produzir mais, segundo o portal OilPrice.

A decisão tem endereço. Quem paga é o consumidor e o país importador de energia, que seguem arcando com o custo da guerra embutido no litro do combustível sem a oferta adicional que um ciclo de lucros extraordinários costumava destravar.

O lucro que veio da guerra As seis maiores companhias europeias do setor somaram US$ 38 bilhões de lucro no trimestre de julho a setembro, cerca de R$ 200 bilhões.

O número cresce bastante quando entram Exxon e Chevron, as duas maiores dos Estados Unidos. A origem do resultado é explícita.

A ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã empurrou os preços do petróleo e do gás ao maior nível em anos, e a guerra na Ucrânia levou as margens de refino a máximas históricas, com a interrupção de unidades no Oriente Médio somando pressão sobre a oferta de derivados.

O setor vive o ano oposto a 2020, quando a pandemia afundou a demanda e derrubou os preços. A diferença é que o caixa recorde não está sendo convertido em novos poços.

Dívida e recompra no lugar de poço novo Analistas chamam o momento de superciclo, e superciclos historicamente destravam investimento em exploração e produção.

Desta vez, a prioridade é outra. A BP suspendeu a recompra de ações para acelerar o corte de dívida, abateu até US$ 10 bilhões e ainda carrega US$ 13,9 bilhões a pagar.

O gargalo está no refino. O setor fechou refinarias durante a pandemia e não repôs a capacidade, o que transformou cada barril processado em margem recorde.

Refinaria nova leva anos e custa bilhões, justamente o gasto que as companhias agora adiam. Exxon e Chevron seguem a mesma cartilha, com recompra de papéis e disciplina de caixa no lugar de projetos novos.

A recompra reduz o número de ações no mercado e transfere o dinheiro da guerra aos acionistas, sem acrescentar um barril à oferta mundial. O colunista Ron Bousso, da agência Reuters, escreveu que as grandes petroleiras evitam novos gastos porque não interpretam as condições atuais como prova de melhora duradoura do setor.

A leitura tem lógica. A indústria saiu da crise de 2020 cobrada por disciplina fiscal e prêmio ao acionista, e essa régua não mudou.

O que isso custa no Brasil O Brasil não refina todo o diesel que consome e recorre ao mercado externo, com preço formado a partir da referência internacional de refino.

Quando a margem bate recorde lá fora, o custo de importar sobe e chega ao caminhoneiro, ao frete, ao ônibus e à comida na prateleira. Nas termelétricas, o combustível segue a mesma referência e pressiona o custo da energia.

O consumidor brasileiro sente duas vezes, no tanque e na tarifa. No lado oposto da balança estão a Petrobras e o pré-sal.

A empresa vende petróleo ao preço internacional e ganha quando o barril sobe, mas o mercado interno continua indexado à mesma referência externa. A escolha também distribui o ganho a uma base estreita.

Quem tem ação da Exxon, da Chevron ou da BP recebe parte do que o motorista pagou a mais no posto. O corte de investimento contraria parte das previsões do próprio setor.

A TotalEnergies revisou a estimativa de pico da demanda para o intervalo entre 2035 e 2040, depois de projetar o pico após 2040 e, em 2024, após 2030. A comercializadora de petróleo Vitol projeta crescimento da demanda até 2040, citando adoção de carros elétricos mais lenta que o esperado.

Previsões de queda em poucos anos não se confirmaram, inclusive a da Agência Internacional de Energia, que apontou declínio conjunto de petróleo, gás e carvão antes de 2030. A própria agência advertiu que a escassez global de gás deve durar até 2027, o que reforça a leitura de aperto prolongado no mercado de energia.

A oferta apertada que produziu o lucro recorde é a mesma que sustenta o preço no trimestre seguinte. As empresas não dizem que esse é o cálculo, e a aritmética dispensa confissão.

O que está em jogo é se o caixa extraordinário vira poço novo, refinaria e oferta adicional ou apenas dividendo. Enquanto a decisão não sai, a escassez segue administrada pelas mesmas companhias, e a conta continua chegando a quem abastece o carro.

Publicação Original Cafezinho ocafezinho.com
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