Espécie é noturna, vive nas árvores, se move lentamente e produz veneno por glândulas nos braçosDivulgação/Gunay ME/Wikimedia Commons Um macaco venenoso que passou 90 anos sem registros na literatura científica foi “redescoberto", conforme o estudo “Neglected but still alive: Further evidence for the continued existence of the Bangka Slow Loris (Nycticebus bancanus) on Bangka Island, Indonesia”, publicado em outubro de 2026.
Chamado lóris-lento-de-bangka, o primata foi considerado criticamente ameaçado e possivelmente extinto, mas continuou sendo procurado por moradores e equipes locais de resgate na ilha de Bangka, Indonésia. De 2015 a 2025, o centro de resgate de animais silvestres Alobi Wildlife Rescue Center recuperou 90 indivíduos da espécie, dos quais 86 ficaram aptos à soltura e foram devolvidos ao meio ambiente em sete pontos diferentes da ilha.
O trabalho deu fruto ao estudo publicado na revista científica Spixiana. Conforme as informações divulgadas pela Re:wild, organização internacional ambiental, a publicação demonstrou que, embora 90 anos sem registros científicos, a espécie sobreviveu com ajuda da população e do centro de reabilitação local.Por que foi considerado praticamente extinto?O lóris-lento-de-bangka foi classificado como criticamente ameaçado na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), com possibilidade de estar extinto.A espécie foi descrita pela primeira vez em 1906, mas só se tornou um animal distinto em 2013.
A falta de registros científicos consistentes se prolongou desde a década de 1930, conforme a Re:wild, o que fez com que a existência se tornasse incerta.Ou seja, a espécie não estava necessariamente desaparecida da ilha, de onde é ‘endêmica’ (único lugar em que habita), mas somente desapareceu de registros confiáveis e confirmados.
Até então, os encontros com esses macacos não estavam sistematizados nem confirmado pela ciência.Espécie ainda sofre pressãoA confirmação de que o lóris de Bangka continua vivo, contudo, não significa que ele esteja fora de perigo. Conforme as informações, a destruição e a fragmentação do habitat natural são as principais ameaças à sobrevivência do primata.Atividades como mineração ilegal de estanho e plantação de óleo de palma reduziram áreas de floresta nativa na ilha, além da ocupação humana e a urbanização.Apesar dos registros confirmados em estudo e dos 86 animais resgatados e devolvidos à natureza, não foi possível estimar a quantidade de indivíduos da população estão vivos.Os pesquisadores defendem que novas medidas legais de conservação, além de um programa de reprodução em cativeiro, são ações essenciais para garantia da sobrevida da espécie.Primata com mordida venenosa?O lóris-lento-de-Bangka pertence a um grupo peculiar de primatas noturnos, com olhos largos e arredondados característicos adaptados à noite.A principal particularidade desta espécie é o veneno, único primata peçonhento conhecido pela ciência.
Por meio de glândulas localizadas na parte interna do braço, o macaco lambe a secreção e mistura com saliva, tornando a mordida venenosa.Em humanos, pode provocar dor e inchaço. Ele se move de forma lenta e silenciosa pelas árvores, com comportamento camuflado que pode apresentar riscos.
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