O governo da Finlândia concedeu em 22 de outubro uma licença de operação à Posiva, empresa destinada a administrar a destinação final do combustível nuclear irradiado gerado por seus proprietários TVO e Fortum, para a instalação de encapsulamento e disposição final de combustível nuclear irradiado localizada em Olkiluoto.
A avaliação de segurança emitida pela Autoridade de Segurança Radiológica e Nuclear (STUK) da Finlândia, em agosto, constituiu a principal justificativa para a decisão do governo. Ilkka Poikolainen, CEO da companhia, destacou em comunicado que o descarte seguro do combustível nuclear usado tem sido um desafio crucial desde que a energia nuclear começou a ser utilizada para geração de eletricidade na década de 1950.
A solução da empresa para uma destinação segura é pesquisada, desenvolvida e avaliada há mais de quatro décadas. A usina de encapsulamento e a instalação de descarte final são destinadas ao combustível nuclear irradiado gerado pelas unidades das usinas nucleares de Olkiluoto, da TVO, e de Loviisa, da Fortum.
Com a decisão finlandesa, a Posiva agora passará para a fase de produção, que se estenderá por mais de 100 anos. “Esta solução não foi criada por ser fácil.
Foi criada apesar de não ser fácil. Porque é a coisa responsável a se fazer.
E porque é a coisa certa a se fazer”, disse Poikolainen. A licença de operação não implica o início imediato da produção.
Antes do início da fase final de desativação, a empresa concluirá a etapa de comissionamento, realizando os testes e inspeções necessários, que a STUK também precisa verificar e aprovar. O armazenamento definitivo do combustível nuclear irradiado baseia-se no princípio das múltiplas barreiras.
Os materiais radioativos são contidos em diversas barreiras de liberação, naturais e de engenharia, que se apoiam mutuamente e são o mais independentes possível, de modo que a falha de uma barreira de liberação não comprometa o funcionamento do isolamento. Na solução de disposição final, o combustível irradiado é acondicionado em contêineres de cobre resistentes e estanques.
Esses contêineres são depositados a uma profundidade de cerca de 430 metros em uma rocha, onde ficam isolados do contato humano e permanecem lacrados, sem necessidade de manutenção, enquanto seu conteúdo puder causar danos significativos ao meio ambiente. “Como dissemos desde o início: apenas o descarte final seguro é possível.
É por isso que dedicaremos o tempo necessário para concluir também as etapas finais com cuidado”, observou o CEO da Positiva. E ele completou: “Uma solução completa como esta não é construída por uma única organização, nem em poucos anos.
Ela se fundamenta em decisões visionárias da sociedade, supervisão regulatória independente, forte comprometimento de nossos acionistas e nos esforços de um amplo grupo de especialistas”. Mais Lidas
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