Os governos da Rússia e da Ucrânia confirmaram um cessar-fogo humanitário em uma cidade ocupada no leste da Ucrânia, em um acordo que teria sido mediado pela primeira-dama dos EUA, Melania Trump. O acerto vem após reuniões de representantes dos EUA com lideranças dos dois lados do conflito, e de sinais de que as conversas podem ser retomadas em breve, mesmo que sem um caminho claro para o fim do conflito iniciado em 2022.
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Quer mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp Em comunicado, a Casa Branca afirmou que a pausa nas atividades militares nos arredores de Oleshky, na região de Kherson, terá início no dia 29 de outubro, “a fim de permitir a entrada de ajuda humanitária e preparar a evacuação de civis por meio de um corredor seguro estabelecido para esse fim”.
Representantes de Kiev e Moscou irão avaliar em que situação se encontram os cerca de 2 mil moradores — antes da guerra, eram 24 mil — e determinar os próximos passos. Não foi anunciada a duração do cessar-fogo, mas os méritos foram atribuídos a Melania Trump.
"A primeira-dama Melania Trump e seu representante trabalharam diretamente com as lideranças russa e ucraniana para definir os termos do cessar-fogo localizado. A primeira-dama iniciou as discussões com ambas as nações e alinhou as partes quanto aos objetivos, procedimentos técnicos, cronograma, processos e termos do acordo, em sua função formal de Intermediária Exclusiva", diz o comunicado da Casa Branca, sem dar detalhes.
Entenda: Zelensky diz que limitações no sistema de satélites Starshield prejudicam suas tropas Situada na margem oriental do rio Dniéper, Oleshky foi capturada pelas forças russas nos primeiros dias da invasão ordenada por Vladimir Putin, em fevereiro de 2022.
Desde então, a maior parte dos civis deixou a área e os que ali ficaram, incluindo 50 menores, recorrem a ervas daninhas para não morrer de fome diante do bloqueio militar. Não há fornecimento de água ou gás, e os serviços médicos disponíveis são escassos.
Para os que tentam fugir, as estradas são povoadas por drones, e poucos conseguiram escapar com vida. “A situação em Oleshky é gravíssima.
Oleshky é uma cidade situada na linha de frente da guerra e está à beira de um desastre. A população que permanece em Oleshky é composta, em sua maioria, por idosos que precisam urgentemente de atendimento médico, medicamentos, alimentos e água potável”, afirmou Melania Trump, citada no comunicado da Casa Branca.
Na semana passada, quando ainda estava internado após a retirada de um tumor no pulmão, o Papa Leão XIV ligou para o presidente russo, Vladimir Putin, para expressar “sua profunda preocupação com a grave situação humanitária” na cidade, e para pedir um cessar-fogo. De acordo com o Vaticano, “o Santo Padre reafirmou o compromisso da Santa Sé com a promoção do diálogo e da paz” na mensagem.
Na terça-feira, o Kremlin reconheceu a situação calamitosa na área, e confirmou que o tema foi discutido por Putin e pelo presidente americano, Donald Trump. O anúncio da pausa militar veio nesta sexta-feira e foi confirmado pelos dois lados.
Após críticas de Zelensky: Trump diz que 'é hora da Ucrânia ter um novo presidente' Valery Gerasimov, chefe do Estado-Maior russo, afirmou na rede social MAX que um cessar-fogo será implementado já a partir de 27 de outubro, dois dias antes do prazo anunciado pela Casa Branca, “devido à operação humanitária que está sendo realizada na área da vila de Oleshky”.
Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, disse que os período da trégua está sendo negociado, e fez elogios à primeira-dama americana. — Acolhemos com satisfação os esforços da primeira-dama dos EUA, Melania Trump , que deu uma contribuição significativa para a coordenação da operação humanitária na aldeia de Oleshky, na região de Kherson — disse, citado pela agência RIA.
Pelo lado ucraniano, o comissário para Direitos Humanos do Parlamento, Dmytro Lubinets, disse que o acordo permitirá a entrega de ajuda e que os civis deixem a cidade, caso queiram. Ao elogiar Melania Trump, ele reconheceu que a operação, que ocorrerá “de forma gradual”, será “extremamente difícil de implementar”, pedindo ao públicoque tome cuidado antes de compartilhar notícias.
Em Kiev, muitos seguem céticos, e lembram que, há duias semanas Trump anunciou que russos e ucranianos tinham se comprometido a não atacar alvos do setor energético, um cessar-fogo que jamais existiu. Segundo a Casa Branca, jornalistas de “uma organização imparcial de mídia dos EUA” irão a OIeshky “acompanhar e documentar as equipes russas e ucranianas em campo ao longo de todo o processo”, sem dar detalhes.
Em seu segundo mandato, Trump trava uma guerra particular com veículos que ousem fazer críticas a seu governo, e sofreu um boicote por parte de jornalistas em algumas agendas. Vídeo: Maior refinaria da Europa fica em chamas, depois de ataque ucraniano
Não foi a primeira vez em que Melania Trump, uma primeira-dama conhecida mais pelo comedimento do que por um papel ativista, atuou na guerra na Ucrânia. Em agosto do ano passado, quando Putin esteve nos EUA, ela enviou uma carta ao líder russo dizendo que era "hora de proteger as crianças e as futuras gerações em todo o mundo".
Ali, se referia às milhares de crianças ucranianas transferidas para a Rússia, tema que rendeu a Putin uma ordem de prisão emitida pelo Tribunal Penal Internacional, em 2023. Desde então, cerca de 34 menores retornaram para casa como resultado de sua intervenção.
O anúncio ocorreu logo depois de encontros do enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, com Putin e com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, para tentar destravar as negociações sobre o fim do conflito. De ambos, obteve sinais de que poderão voltar a se sentar à mesa, com delegações em nível técnico, já no mês que vem, mas as divergências sobre o pós-guerra são difíceis de superar.
Passageiros em terminal do aeroporto de Sheremetyevo, em Moscou, fechado por ataques de drones AFP
Nesta sexta-feira, um ataque com drones levou ao fechamento dos quatro principais aeroportos da região metropolitana de Moscou, e passageiros em ao menos um deles, Sheremetyevo, receberam ordens para buscar abrigo. Autoridades da capital russa afirmaram que ao menos 17 drones foram abatidos, sem detalhar estragos.
Em Oryol, a 200 km da fronteira com a Ucrânia, uma fábrica de semicondutores foi atingida, afirmaram representantes militares em Kiev. Na véspera, Zelensky acusou a Rússia de usar munições de fragmentação durante ataques aéreos contra o país — esse tipo de armamento é banido pela Convenção Sobre Bombas de Fragmentação, de 2008, um texto que não conta com a adesão de russos ou ucranianos.
O Globo