Governo Trump entra na Justiça para impedir possível eleição de democrata ao Senado no Alasca

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Fonte da notícia: Valor Valor

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos entrou com uma ação judicial nesta quinta-feira para impedir preventivamente que o Alasca certifique o resultado da eleição para o Senado americano caso o candidato republicano que busca a reeleição seja derrotado por uma margem estreita de votos.

O órgão argumenta que os eleitores podem se confundir porque dois republicanos que disputam a eleição têm nomes praticamente idênticos. O controle no Senado dos EUA pode ser decidido no Estado, onde o senador republicano Dan S.

Sullivan disputa uma eleição acirrada contra a democrata Mary Peltola. A ação do Departamento de Justiça questiona a participação de outro republicano, Dan J.

Sullivan. Segundo o processo, ele estaria concorrendo apenas com "a intenção de induzir os apoiadores do senador Sullivan a votar nele por engano".

A ação pede que um juiz federal impeça a certificação de um resultado que "possa ter sido afetado pela confusão os eleitores", para permitir uma "investigação destinada a determinar se os votos dados a Daniel J. Sullivan deveriam ter sido destinados ao senador Sullivan".

Especialistas em direito eleitoral criticaram duramente a ação do Departamento de Justiça, classificando-a como uma manobra publicitária do governo Trump que busca uma medida judicial não prevista na legislação federal. "Em resumo, assim como muitas manifestações do Departamento nos últimos anos, ela foi concebida para vencer na divulgação à imprensa, e não no tribunal", escreveu Derek Muller, professor de Direito da Universidade de Notre Dame, em uma publicação em seu blog.

Ele acrescentou que "o argumento jurídico é um dos piores que já vi". O governo do presidente Donald Trump tem adotado uma postura cada vez mais agressiva na fiscalização eleitoral, pressionando os Estados a fornecer dados de registro de eleitores e argumentando que medidas mais rigorosas são necessárias para garantir a confiança da população na votação.

Críticos, incluindo autoridades eleitorais democratas e alguns republicanos, consideram essas iniciativas uma interferência excessiva do governo federal. O outro Sullivan, que nunca ocupou um cargo eletivo e já trabalhou no Serviço Florestal dos Estados Unidos e como professor do ensino fundamental, registrou sua candidatura em 29 de maio com o objetivo de derrotar o senador Dan S.

Sullivan e "colocar o Alasca em primeiro lugar", segundo seu site de campanha, que anunciava: "Dan Sullivan desafia Dan Sullivan por uma vaga no Senado dos EUA". Dan J.

Sullivan negou, em entrevistas a veículos de imprensa americanos, que seu objetivo seja provocar confusão ou desviar votos de Dan S. Sullivan.

A Suprema Corte do Alasca autorizou, em junho, que o Sullivan sem mandato eletivo aparecesse na cédula eleitoral. Seu nome será apresentado sem identificação partidária, enquanto o senador será identificado como o republicano que busca a reeleição.

Pesquisas eleitorais mostram que Peltola, ex-deputada federal, está empatada ou ligeiramente à frente na disputa no Alasca, Estado onde Trump venceu por uma margem de cerca de 14 pontos percentuais em 2024. No Alasca, assim como em grande parte dos EUA, o índice de desaprovação de Trump supera o de aprovação, em meio à alta dos preços do diesel e da gasolina e a um conflito no Oriente Médio que se mostrou profundamente impopular entre os eleitores.

Pesquisas de opinião indicam que os republicanos podem perder o controle de uma ou das duas Casas do Congresso, o que provavelmente limitaria a capacidade de Trump de implementar suas políticas nos dois últimos anos de seu mandato.

Publicação Original Valor valor.globo.com
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