Ônibus parados na garagem em Santana, na Zona Norte de SP. Reprodução/TV Globo
A Prefeitura de São Paulo e a SPTrans informaram à Justiça Eleitoral que acionaram as empresas de ônibus da capital duas vezes para reforçarem a operação do transporte neste domingo (25), quando ocorreu o segundo turno da eleição. Na manifestação, a administração sustenta que cumpriu integralmente a ordem judicial que determinou a circulação de 100% da frota de dias úteis e pede para não ser multada.
O documento foi protocolado às 17h01 de domingo, após denúncias de redução da frota e relatos de passageiros enfrentando longas esperas em pontos de diferentes regiões da capital. Apesar de afirmar que a determinação foi cumprida, a manifestação não apresenta o número de ônibus que efetivamente circularam.
Em nota, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) informou que, após a apresentação dos esclarecimentos, foi aberta vista ao Ministério Público para manifestação. Ainda não há nova decisão no caso.
A Justiça Eleitoral havia determinado a circulação de 100% da frota operacional praticada em dias úteis regulares. Conforme noticiado pelo g1, a decisão previa multa pessoal de R$ 100 mil ao prefeito Ricardo Nunes (MDB) e ao presidente da SPTrans, Victor Hugo Borges, em caso de descumprimento.
Passageiros reclamam de falta de ônibus na capital durante o segundo turno Contatos no sábado e no domingo
Segundo tabela apresentada pela prefeitura, os primeiros contatos com as operadoras ocorreram no sábado (24), entre 14h16 e 15h05. No domingo, os acionamentos de reforço foram registrados entre 13h30 e 13h44.
A administração afirma que enviou uma circular determinando que todas as linhas adotassem a frota e a programação de dias úteis. A orientação também previa reserva técnica de no mínimo 10% destinada prioritariamente a terminais e linhas de áreas periféricas e de alta vulnerabilidade social das zonas Leste, Sul e Norte.
De acordo com a manifestação, as concessionárias foram comunicadas e acompanhadas pelas equipes técnicas da SPTrans desde a véspera da eleição e ao longo do domingo. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB).
JFDiorio/Secom/Divulgação/PMSP "Portanto, resta cabalmente comprovado que a ordem judicial foi integralmente transmitida e implementada pela Administração Pública Municipal e pela SPTrans em todas as garagens e linhas concessionárias", sustenta a defesa assinada pelo procurador do município William Alexandre Calado e pelo superintendente jurídico da SPTrans, Caio Augusto de Moraes Forjas.
O arquivo não traz quantitativos de veículos em circulação por linha ou horário, nem dados de viagens e intervalos que permitam verificar o atendimento à ordem e a situação nos locais denunciados. Prefeitura nega retenção de ônibus
Na resposta, a prefeitura nega retenção delilberada dos ônibus para reduzir o atendimento. Segundo a administração, a permanência de parte dos veículos em garagens e terminais integra a reserva técnica necessária para substituições em caso de falhas mecânicas, ocorrências no trânsito e ajustes de intervalos.
Com o segundo turno concluído, Brasil define o mapa político dos governos estaduais a partir de 2027 A gestão também afirma que a circulação de ônibus com o letreiro “Reservado” fazia parte da logística do serviço, incluindo deslocamentos para terminais, reforço de linhas de maior demanda e movimentação da reserva destinada às periferias.
Segundo a defesa, essas situações não representavam recusa intencional de atendimento aos eleitores. A prefeitura e a SPTrans pedem que a Justiça reconheça o cumprimento integral da determinação e não aplique multas contra o município.
Denúncias de demora No domingo, o PT denunciou à Justiça Eleitoral que apenas 60% da frota estaria em operação, apesar da determinação de disponibilizar 100% dos veículos utilizados em dias úteis.
Levantamento do g1 mostrou que 71% dos ônibus saíram das garagens às 14h22, abaixo dos 100% determinado pela Justiça. A reportagem do g1 reuniu relatos de passageiros sobre dificuldades no Jaraguá, na Vila Zilda, na Avenida Ibirapuera e na Estrada do M’Boi Mirim.
Houve reclamações de esperas superiores a uma hora e registros de ônibus parados.
G1