O Japão lançou uma missão espacial na última terça-feira (20) para recolher amostras de Fobos, uma das duas luas de Marte, e trazê-las à Terra. A espaçonave MMX (Exploração das Luas de Marte, na sigla em inglês) tem como principais objetivos investigar a origem de Fobos e Deimos, a outra lua marciana, e ampliar o conhecimento sobre a evolução de Marte e do Sistema Solar. A sonda decolou a bordo do foguete H3, do Centro Espacial de Tanegashima, no sudoeste do país. Veja também: Vídeo mostra grupo saqueando loja de acessórios para celular durante protestos na França Leia mais: Cachorro Yorkshire parte para cima de urso, expulsa animal de quintal e vídeo viraliza; assista Liderada pela Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (JAXA), a missão não tripulada prevê a coleta de pelo menos 10 gramas de material da superfície de Fobos. Os cientistas ainda não chegaram a um consenso sobre como as duas luas se formaram, e a análise das amostras poderá ajudar a determinar se elas surgiram de material lançado ao espaço após um grande impacto em Marte ou se são asteroides formados em outra região do Sistema Solar e posteriormente capturados pela gravidade do planeta. A previsão é que a sonda chegue à região de Marte em 2027. Antes da coleta, a espaçonave deverá estudar Fobos e Deimos com instrumentos científicos e observações da superfície. A própria sonda principal fará o pouso em Fobos e recolherá o material do solo. O retorno à Terra está previsto para 2031, quando uma cápsula com as amostras deverá reentrar na atmosfera. Desafio em uma das luas de Marte A operação também representa um desafio tecnológico. Fobos tem cerca de 22 quilômetros de diâmetro e uma gravidade extremamente baixa, aproximadamente mil vezes menor que a da Terra. A característica dificulta a movimentação de equipamentos em sua superfície e exige cuidados para evitar que eles percam contato com o solo ou se desloquem de maneira inesperada. Para ajudar na exploração do terreno, a MMX levará o robô Idefix, desenvolvido em parceria entre França e Alemanha. O equipamento poderá se deslocar por meio de pequenos saltos, em vez de se movimentar como um robô convencional em solo terrestre. A tecnologia deverá auxiliar na identificação de locais adequados para a coleta de amostras. Além de recolher o material, a missão fará medições da composição, da topografia e da estrutura de Fobos. A sonda também observará Deimos durante sua passagem pelo sistema marciano. O material também pode guardar pistas sobre a história geológica de Marte. Parte dos detritos presentes em Fobos pode ter origem no próprio planeta, lançados ao espaço por impactos de asteroides. Se essa hipótese for confirmada, as amostras poderão permitir o estudo indireto de materiais marcianos sem a necessidade de coletá-los diretamente na superfície do planeta. Japão amplia experiência A MMX faz parte de um esforço internacional para ampliar a exploração do sistema marciano. Enquanto a missão japonesa pretende trazer material de Fobos, Estados Unidos e China desenvolvem projetos para recuperar amostras diretamente de Marte. O robô Perseverance, da Nasa, já coletou material do planeta, mas o plano americano de retorno das amostras enfrentou dificuldades orçamentárias e foi revisto. A China, por sua vez, planeja lançar a missão Tianwen-3 por volta de 2028, com o objetivo de trazer amostras marcianas à Terra. O Japão já realizou missões bem-sucedidas de coleta e retorno de amostras de asteroides com as sondas Hayabusa e Hayabusa2. A MMX amplia essa experiência para um ambiente mais complexo, com operações próximas a Marte e um pouso em um de seus satélites naturais.
Por que o Japão quer chegar a uma das luas de Marte? Entenda missão espacial lançada pelo país
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O Globo
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