247 – O Projeto Brief anunciou uma campanha que distribuirá R$ 100 mil em prêmios para mulheres que produzirem conteúdos digitais sobre a importância da participação feminina nas eleições de 2026. A iniciativa, chamada Desafio Elas Que Decidem, busca ampliar o debate sobre o direito ao voto e estimular o comparecimento às urnas no segundo turno, marcado para 25 de outubro. Segundo informações divulgadas pela organização, a mobilização começou em 15 de outubro e aceitará publicações até o dia 24.
Em parceria com o movimento Elas Que Decidem, o Projeto Brief pretende alcançar eleitoras de diferentes regiões do Brasil por meio de vídeos, memes, animações e outros formatos nas redes sociais. A organização destaca que as mulheres representam 52,8% do eleitorado nacional, com aproximadamente 83,8 milhões de pessoas aptas a votar neste ano. O objetivo é incentivar conversas sobre a participação política feminina, sem promover candidatos ou partidos.
A mobilização ocorre em meio a discussões sobre o peso do eleitorado feminino nas disputas presidenciais. Além de constituírem a maioria das pessoas com direito a voto, as mulheres estão à frente de mais da metade dos domicílios brasileiros. A organização lembra que a eleição presidencial de 2022 terminou com uma diferença de pouco mais de 2 milhões de votos entre os candidatos, resultado que evidencia a importância da participação eleitoral.
O Projeto Brief também manifesta preocupação com discursos que questionam a capacidade das mulheres de escolher seus representantes. Segundo a entidade, publicações que circularam nas redes sociais nos últimos meses chegaram a defender que o voto feminino tivesse menor valor, apesar de esse direito integrar a legislação brasileira há quase um século.
Pesquisa revela desigualdade na participação eleitoral feminina
Um levantamento do Projeto Brief, realizado em setembro de 2026 com 3.594 mulheres de diferentes regiões do país, identificou diferenças significativas na participação política conforme a renda das entrevistadas.
Entre as mulheres que recebem até dois salários mínimos, 29% afirmaram ter votado em branco, anulado o voto ou deixado de comparecer às urnas. No grupo com renda superior a cinco salários mínimos, esse percentual caiu para 13%.
Os resultados apontam que as dificuldades econômicas e sociais também influenciam a participação eleitoral. O estudo identificou obstáculos como a falta de tempo para acompanhar o noticiário político, a sobrecarga de trabalho, o cuidado com os filhos e as despesas necessárias para chegar aos locais de votação.
A pesquisa também registrou desmotivação relacionada ao descumprimento de promessas eleitorais, ao desgaste provocado pela polarização política e à ausência de espaços de diálogo sobre questões públicas.
Mesmo entre as entrevistadas mais afastadas das discussões políticas, o levantamento identificou confiança na própria capacidade de escolher representantes. A principal dificuldade, segundo a organização, envolve a percepção de que a participação nas eleições pode não produzir mudanças concretas na vida cotidiana.
Para o Projeto Brief, conversas que relacionem decisões políticas a temas como emprego, renda, atendimento médico e educação podem aproximar as mulheres do debate eleitoral.
“As mulheres sabem muito bem como a política afeta a vida delas. O que falta, muitas vezes, é acreditar que vale a pena participar e ter com quem conversar sobre isso. O desafio é um convite para que as próprias mulheres puxem essa conversa, cada uma do seu jeito e com a linguagem da sua comunidade, sem precisar levantar bandeira de nenhum lado”, afirma Carol Luck, coordenadora do Projeto Brief.
Desafio distribuirá prêmios em quatro modalidades
A iniciativa destinará R$ 84 mil a três categorias competitivas, com R$ 28 mil para cada uma. As vencedoras receberão R$ 15 mil pelo primeiro lugar, R$ 8 mil pelo segundo e R$ 5 mil pelo terceiro.
Na categoria “Furou a Bolha”, a avaliação considerará o alcance das publicações em relação ao número de seguidores de cada participante. O critério pretende permitir que mulheres com audiências menores concorram com criadoras de conteúdo que já possuem grande presença nas plataformas digitais.
A modalidade “Deu o Recado” reconhecerá a criatividade e a qualidade da narrativa apresentada, sem utilizar o alcance da publicação como fator determinante.
Já a categoria “Da Rede à Urna” levará em conta a capacidade de engajamento dos conteúdos, com base na quantidade de curtidas, comentários e compartilhamentos.
A premiação também incluirá uma homenagem à professora, comunicadora e ativista digital gaúcha Paola Costa, que trabalhou na Quid e morreu em maio de 2026, aos 38 anos.
O Prêmio Paola Costa oferecerá R$ 16 mil à participante que apresentar a melhor iniciativa de mobilização coletiva, tanto no ambiente digital quanto em atividades fora das redes sociais. A modalidade terá apenas uma vencedora e representará o maior valor individual da competição.
O regulamento estabelece que cada concorrente poderá conquistar somente uma premiação.
Quem pode participar e como funcionam as inscrições
O Desafio Elas Que Decidem permite a participação de mulheres com mais de 18 anos que mantenham perfis públicos nas redes sociais. As interessadas não precisam ter experiência profissional na produção de conteúdo nem abordar regularmente temas políticos em suas páginas.
A organização aceitará publicações em diferentes linguagens, como vídeos curtos, ilustrações, animações, memes, carrosséis e pequenas narrativas audiovisuais.
As participantes poderão divulgar os materiais no Instagram, TikTok, Kwai, YouTube, Facebook e X.
Para concorrer, cada mulher deverá publicar seu conteúdo em uma conta aberta, utilizar a hashtag #ElasQueDecidem e preencher o formulário oficial de inscrição da iniciativa.
O prazo começou em 15 de outubro e terminará às 23h59 do dia 24, véspera do segundo turno presidencial. O regulamento não aceitará publicações feitas exclusivamente por meio dos stories.
A organização anunciará os resultados em 10 de novembro.
Regulamento proíbe propaganda eleitoral e informações falsas
Embora a mobilização aconteça durante a campanha presidencial, o Projeto Brief estabelece regras para impedir que os conteúdos funcionem como propaganda de candidatos ou partidos.
As publicações não poderão apresentar nomes, números, slogans, símbolos partidários, coligações ou outros elementos que promovam candidaturas. A restrição também alcança imagens, gravações de voz e trechos de discursos utilizados com finalidade eleitoral.
O regulamento proíbe a circulação de informações falsas ou enganosas, além de conteúdos sem fontes verificáveis. Também veta ataques pessoais, manifestações discriminatórias e mensagens que constranjam mulheres por suas escolhas políticas, pela indecisão ou pela ausência nas urnas.
Outra restrição envolve a utilização de inteligência artificial para simular pessoas reais ou produzir materiais capazes de induzir o público ao erro. As participantes poderão recorrer a ferramentas de IA, desde que identifiquem seu uso e respeitem as demais exigências.
A competição também não aceitará conteúdos financiados por campanhas eleitorais, candidatos ou partidos. A organização desconsiderará interações artificiais, como curtidas compradas, perfis falsos e atividades de robôs, e poderá desclassificar as responsáveis por essas práticas.
O regulamento ainda impede a oferta de transporte, alimentação ou outros benefícios vinculados ao exercício do voto.
Projeto pretende ampliar conversas sobre o voto feminino
Além da premiação, o Projeto Brief pretende identificar formatos de comunicação capazes de alcançar mulheres que acompanham pouco o debate político.
A proposta envolve estimular a circulação de mensagens em diferentes comunidades, valorizar experiências pessoais e fortalecer conexões entre criadoras de conteúdo, organizações e outras participantes.
A iniciativa também busca compreender quais abordagens despertam maior identificação e compartilhamento, com a perspectiva de aproveitar os resultados em futuras ações de participação cívica.
Carol Luck afirma que a campanha procura responder às manifestações que desqualificam o direito das mulheres de participar das decisões políticas.
“Se tem gente questionando o voto das mulheres, é porque ele importa, e ninguém precisa aprovar essa escolha. O desafio quer transformar essa indignação em participação. Cada conteúdo publicado com #ElasQueDecidem ajuda a mostrar que as mulheres têm muito a dizer sobre o futuro que querem ter”, finaliza.
O Desafio Elas Que Decidem encerrará as inscrições em 24 de outubro, um dia antes da votação do segundo turno. A divulgação das vencedoras ocorrerá em 10 de novembro, com a distribuição dos R$ 100 mil entre as quatro modalidades previstas no regulamento.
Brasil 247