Cármen Lúcia: ‘democracia não é conquista definitiva e precisa ser defendida todos os dias’

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta terça-feira (20) que a “democracia não é uma conquista definitiva e precisa ser defendida todos os dias”. A declaração foi feita durante palestra na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), na abertura da 23ª Semana de Ensino, Pesquisa, Extensão e Inovação (Sepex).

Com o tema “A Justiça Delas”, a conferência ocorreu por videoconferência e integrou a programação deste ano, dedicada à “Ciência Delas”. Durante a exposição, a ministra alertou para os riscos da intolerância política e da polarização, que podem aprofundar as divisões sociais.

Segundo a CNN Brasil, Cármen Lúcia afirmou que a preservação da democracia depende da defesa permanente da liberdade, dos direitos fundamentais e da convivência entre pessoas com opiniões diferentes. A magistrada também apontou o diálogo e o respeito às divergências como elementos essenciais para a manutenção do pluralismo democrático.

Educação pública e autonomia universitária

A ministra defendeu a educação pública como instrumento para a construção de uma sociedade mais justa. Também ressaltou a necessidade de garantir autonomia administrativa e financeira às universidades públicas, além de recursos para as atividades de ensino e pesquisa.

Segundo Cármen Lúcia, os direitos previstos na Constituição Federal de 1988 precisam ser efetivamente assegurados, especialmente o compromisso de construir uma sociedade livre, justa e solidária.

A vice-reitora da UFSC, Felipa Amadigi, avaliou que a participação da ministra na abertura da Sepex contribui para aproximar a produção do conhecimento de questões fundamentais relacionadas ao direito e à justiça.

“Eu diria que a ministra traz vários pontos cruciais na defesa da democracia, na defesa da sociedade e na construção dessas relações humanas, para que a gente não perca o respeito pelo outro, que construa relações respeitosas”, afirmou Amadigi.

A vice-reitora também mencionou a contribuição das universidades para ampliar oportunidades e promover mudanças sociais.

“A fala da ministra também nos traz muita reflexão sobre a autonomia universitária e o potencial que têm as universidades para contribuir para a construção de uma sociedade mais justa, mais igualitária e mais humana”, acrescentou.

Ministra aborda desigualdade de gênero e misoginia

A palestra “A Justiça Delas” também tratou das desigualdades de gênero, da misoginia e da violência contra as mulheres. Cármen Lúcia chamou a atenção para a distância entre os direitos assegurados pela Constituição e a realidade brasileira.

A ministra defendeu o enfrentamento das desigualdades e a ampliação das oportunidades para as mulheres, inclusive no campo científico. Ela também ressaltou que a igualdade exige ações permanentes.

Diferenças de origem, raça, gênero, crença ou posicionamento político, afirmou a magistrada, não devem servir de justificativa para a discriminação. Ao final da conferência, ela transmitiu uma mensagem de esperança e perseverança na defesa da liberdade, da democracia e da dignidade humana.

Sepex valoriza participação das mulheres na ciência

A 23ª Semana de Ensino, Pesquisa, Extensão e Inovação da UFSC tem como tema “Ciência Delas” e busca valorizar a contribuição das mulheres para a produção científica e para a sociedade.

O evento reúne projetos e atividades de ensino, pesquisa, extensão e inovação, com o objetivo de aproximar a comunidade acadêmica do público.

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