O presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou nesta quarta-feira a libertação do americano Stephen Hubbard, de 74 anos, condenado por atuar como mercenário ao lado das forças ucranianas. A declaração ocorreu durante uma reunião com Steve Witkoff, enviado da Casa Branca, em São Petersburgo. Segundo agências de notícias russas, Hubbard estava no aeroporto de Pulkovo.
O GLOBO no Mundo: receba as notícias internacionais no seu WhatsApp Quer morar fora do Brasil? Guia completo de imigração reúne informações sobre 36 países Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre as condições da libertação, o destino do americano ou seu estado de saúde. Professor de inglês aposentado, Hubbard vivia na Ucrânia quando foi capturado pelas forças russas, em abril de 2022, pouco mais de um mês após o início da invasão em larga escala do país. Em outubro de 2024, recebeu uma pena de seis anos e dez meses de prisão em uma colônia penal, após um julgamento a portas fechadas. O governo dos Estados Unidos contestou a detenção e classificou o americano como alguém “detido injustamente”. Pessoas que dividiram períodos de prisão com ele também relataram agressões físicas, condições degradantes e problemas de saúde durante o cativeiro. Por que Hubbard foi preso e condenado? As autoridades russas afirmaram que Hubbard havia se alistado, em fevereiro de 2022, em uma unidade regional de defesa territorial da Ucrânia. Segundo a versão apresentada por Moscou, ele teria recebido treinamento, armas, munições e um pagamento mensal de US$ 1 mil para combater as tropas russas. Essa versão foi contestada por pessoas que conheciam o caso. Alyona Hryban, funcionária pública em Izium, afirmou que a unidade local de defesa territorial dispunha de poucas armas, não pagava seus integrantes e não tinha homens idosos entre seus membros. Um ex-prisioneiro de guerra ucraniano que dividiu cela com Hubbard relatou que o americano contou ter sido detido em um posto de controle enquanto tentava fugir. Em outubro de 2024, um tribunal de Moscou condenou Hubbard a seis anos e dez meses de prisão em uma colônia penal. Durante uma audiência anterior, antes de o processo passar a tramitar sob sigilo, a agência estatal russa RIA Novosti informou que ele havia se declarado culpado da acusação de mercenarismo. Na ocasião, Hubbard teria afirmado: “Sim, eu concordo com a acusação”. Quem é Stephen Hubbard? Hubbard nasceu no estado de Michigan, nos Estados Unidos, e passou boa parte da vida no exterior. Depois de servir à Força Aérea americana e à Guarda Nacional, estudou inglês e obteve um mestrado na área. Trabalhou como professor no Japão e, posteriormente, passou a dar aulas on-line. Ele teve três filhos no primeiro casamento e um filho no segundo, com uma mulher japonesa. Mais tarde, estabeleceu um relacionamento com Inna, uma ucraniana. Em 2014, mudou-se com a companheira para Izium, cidade no leste da Ucrânia. Hubbard não falava ucraniano nem russo e, quando precisava de dinheiro, dava aulas de inglês pela internet. Quando a Rússia iniciou a invasão em larga escala da Ucrânia, em 24 de fevereiro de 2022, ele estava sozinho em Izium. A cidade acabou ocupada pelas forças russas, e Hubbard foi detido em 2 de abril daquele ano, segundo informações divulgadas posteriormente pela agência estatal russa RIA Novosti. Ex-prisioneiros relatam agressões e condições degradantes Três ex-prisioneiros de guerra ucranianos que dividiram períodos de detenção com Hubbard afirmaram que ele sofreu agressões físicas e enfrentou condições degradantes nas prisões russas. Segundo esses relatos, o americano passou por diferentes centros de detenção e teve problemas de saúde durante o cativeiro. Ihor Shyshko, que dividiu uma cela com Hubbard, relatou episódios de espancamentos, ameaças e condições insalubres.
— Eles batiam em nossos tornozelos e nos forçavam a fazer flexões, rompendo ligamentos no processo Muitos dos homens ficaram feridos, alguns permanentemente. As condições eram muito desumanas — afirmou. Outro ex-prisioneiro, identificado pelo codinome militar Hacker, disse que Hubbard enfrentava problemas nos rins, no estômago e no trato retal, além de sangramentos. Segundo ele, guardas russos agrediam o americano e o obrigavam a aprender palavras em russo, poemas e o hino nacional do país. Os relatos não puderam ser verificados de forma independente, já que as autoridades russas não divulgaram informações completas sobre a detenção. Os depoimentos, contudo, apresentaram convergências entre si e com relatos de outros militares ucranianos que estiveram presos na Rússia.
O Globo