Por Bruce WilliamPostado em 07 de novembro de 2026 Keith Richards construiu boa parte de sua carreira tocando alguns dos riffs mais conhecidos da história do rock, mas nunca demonstrou muito interesse em competir com os grandes virtuoses da guitarra.
Para o músico dos Rolling Stones, a capacidade de executar solos complicados está longe de ser a característica mais importante de um guitarrista. O que realmente o entusiasma é a maneira como diferentes instrumentos trabalham juntos para construir uma música.
Em entrevista ao Los Angeles Times, Richards foi questionado sobre Eddie Van Halen, que havia morrido naquele mês. O entrevistador lembrou que o Van Halen abriu apresentações dos Rolling Stones em 1981 e perguntou se Keith guardava alguma lembrança daquele período.
Sua resposta foi pouco entusiasmada: ele não se recordava de praticamente nada da banda na época, embora tivesse aprendido a apreciar seu trabalho posteriormente. Richards aproveitou a pergunta para explicar suas preferências musicais.
Em vez de destacar a velocidade ou a complexidade dos solos, falou de sua própria abordagem: "Sou guitarrista. Toco acordes, toco ritmo.
Uso a guitarra para projetar uma canção". Para ele, o tipo de virtuosismo associado a músicos como Eddie Van Halen nunca foi particularmente atraente, embora reconhecesse que cada guitarrista de rock tinha suas qualidades.
Quando o entrevistador perguntou sobre as diferenças entre tocar com os Rolling Stones e sua banda solo, os X-Pensive Winos, Richards voltou ao assunto. Ele explicou que sempre valorizou a contribuição dos músicos com quem trabalhou, citando Brian Jones, Mick Taylor, Ronnie Wood e Waddy Wachtel, entre outros.
A interação entre guitarristas, segundo ele, era mais importante do que aquilo que qualquer um pudesse fazer individualmente. "Um guitarrista sozinho não resolve para mim.
Preciso de duas ou três guitarras entrelaçadas. É isso que me entusiasma", afirmou.
Richards acrescentou que não tinha grande interesse em ouvir solos, pois considerava que já havia escutado inúmeras variações das mesmas ideias. Sua curiosidade estava na maneira como dois guitarristas podiam se complementar, criando um resultado muito maior do que a simples soma de suas partes.
Essa filosofia ajuda a explicar uma das características mais marcantes dos Rolling Stones. Em diferentes períodos, Richards dividiu as guitarras com Brian Jones, Mick Taylor e Ronnie Wood, desenvolvendo uma abordagem na qual as funções de base e solo frequentemente se misturam.
Em vez de manter um músico exclusivamente no acompanhamento enquanto o outro assume os solos, as guitarras dialogam e se alternam, criando a textura rítmica que se tornou uma das marcas registradas da banda. A diferença em relação a Eddie Van Halen, portanto, também envolve duas maneiras bastante distintas de entender o instrumento.
Enquanto Eddie ajudou a revolucionar a guitarra do rock com sua técnica e suas inovações, Richards sempre esteve mais interessado no ritmo, nos acordes e na interação musical. Não surpreende que, ao recomendar grandes guitarristas naquela entrevista, tenha mencionado nomes como Django Reinhardt e Andrés Segovia, deixando claro que sua ideia de excelência na guitarra não depende necessariamente do espetáculo proporcionado por um solo.
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