O aumento das vendas de petróleo bruto ao exterior sustentou o crescimento recorde das exportações brasileiras em outubro e deve continuar favorecendo o saldo comercial nos próximos meses, avaliam economistas. Do lado das importações, a desaceleração da atividade econômica e a depreciação do câmbio tendem a conter a demanda por produtos estrangeiros.
A balança comercial registrou superávit de US$ 9,318 bilhões em outubro, segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). O saldo resultou de US$ 37,807 bilhões em exportações (+20,0%) e US$ 28,49 bilhões em importações (+14,8%).
O diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), Herlon Brandão, afirmou que outubro de 2026 foi o “mês que apresentou o maior comércio mensal da série histórica, com recordes tanto de exportação quanto de importação”. A indústria extrativa, que avançou 53,5% em relação a outubro de 2025, foi a principal responsável pelo recorde de exportações no mês.
O destaque foi o petróleo bruto, cujas vendas ao exterior cresceram 122,6%, com aumento de US$ 4,70 bilhões. Segundo a XP, o produto respondeu por 15 pontos percentuais (p.p.) da alta de 20% das exportações brasileiras no período.
Brandão afirma ainda que a combinação do aumento do volume exportado e dos preços contribuiu para que a receita com as vendas da commodity chegasse a US$ 8,54 bilhões. O volume de petróleo bruto embarcado cresceu 62,9%, enquanto os preços avançaram 36,7% na comparação com outubro do ano passado.
A economista da XP Luíza Pinese afirma que o produto deve ampliar sua contribuição para as exportações nos próximos meses, à medida que os registros de exportação se normalizam após uma defasagem contábil. Em relação às importações, Pinese destaca o aumento dos preços dos combustíveis (+99,8%) e o avanço das compras de automóveis de passageiros (+95,5%).
Pinese avalia ainda que as importações devem permanecer elevadas, impulsionadas também por preços mais altos de produtos farmacêuticos e semicondutores. No entanto, excluindo os veículos, os volumes importados devem continuar contidos, em linha com a desaceleração da atividade econômica.
“Isso não será suficiente para compensar o avanço dos volumes exportados de petróleo, principal item da pauta exportadora brasileira”, afirma. A XP projeta superávit comercial de US$ 90,3 bilhões em 2026.
Para 2027, a empresa elevou a projeção para o preço do petróleo Brent a US$ 90 por barril, o que tem efeito líquido positivo sobre a balança comercial. Pinese também avalia que a atividade econômica mais fraca e o câmbio mais depreciado devem reduzir a demanda por importações.
A projeção de superávit comercial para o próximo ano foi revisada de US$ 81,8 bilhões para US$ 95 bilhões. José Pimenta, sócio-diretor da BMJ Consultoria, avalia que o crescimento das exportações e importações brasileiras em outubro ainda reflete o aquecimento da atividade econômica e a diversificação de mercados deve ampliar o espaço das exportações brasileiras.
"Quando a gente olha para uma balança comercial aquecida, ela tende a refletir uma economia aquecida, embora essa seja a projeção para 2026. É preciso ver o que vai acontecer em 2027”, afirma.
Herlon Brandão afirma também que o desempenho das exportações de petróleo bruto contribuiu para o crescimento das vendas brasileiras à União Europeia (UE) e aos Estados Unidos, que avançaram 32% e 87%, respectivamente. No caso dos EUA, as exportações passaram de US$ 2,3 bilhões para US$ 4,3 bilhões, um aumento de US$ 2 bilhões.
Em relação à queda de 5,3% das exportações brasileiras para a China, Brandão afirmou que o recuo foi influenciado pelo desempenho da carne bovina, cujos embarques foram afetados pelo esgotamento da cota chinesa. Os volumes de carne bovina caíram -1,7 p.p., afirma a XP.
Na avaliação de Pimenta, a diversificação dos parceiros comerciais também têm contribuído para ampliar a presença dos produtos brasileiros no mercado internacional. Ele cita o crescimento das vendas em 2026 para países como Índia, que avançaram 82,6%, com aumento de US$ 4,4 bilhões, e Itália, com alta de 30,1%, equivalente a US$ 1,4 bilhão.
“São mercados que individualmente não têm o nível de expressão de uma China, mas quando são somados, você começa a ter uma mudança de ponteiro interessante na cadeia exportadora brasileira” afirma.
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