Por Gustavo MaiatoPostado em 07 de novembro de 2026 Antes de virar sinônimo de rock nacional, a Legião Urbana precisou convencer a própria gravadora de quem era.
O começo da relação com a indústria foi um dos temas da conversa de Marcelo Bonfá com o FUNARJ Cast. O baterista relembrou a fase das fitas demo, quando a banda quase desistiu de gravar o primeiro disco por causa de uma sugestão que não combinava com o grupo.
Bonfá contou que a banda gravou três demos com produtores diferentes. Na mesma época, a gravadora recebeu uma fita de Renato Russo sozinho ao violão e outra do grupo completo, o que confundiu os executivos.
Segundo ele, ninguém da empresa tinha visto um show da banda, e a força da Legião sempre esteve no palco. Isso só ficou claro depois das apresentações no Circo Voador.
"Quando a gente fez essas demos, eles estavam achando que a gente tava meio no estilo folk, meio country. Até quiseram fazer 'Geração Coca-Cola' estilo country.
A gente jogou a toalha, falou que a gente não sabe fazer isso, cara. A gente não sabe fazer, não adianta fazer.
Se eles insistissem, ia rachar e não ia rolar. A gente foi embora para Brasília."
O recuo deu resultado. A gravadora chamou o grupo de volta, e foi nesse momento que Bonfá convidou o baixista Negrete para as gravações.
"A gente voltou com carta branca, sabe? A gente mandava no estúdio sempre", afirmou. A partir do segundo e do terceiro disco, segundo ele, o trio fechava a porta do estúdio e decidia tudo sozinho, inclusive a ordem das faixas.
Essa autonomia valeu até para canções longas e fora do padrão, como "Faroeste Caboclo" e "Metal Contra as Nuvens", que nunca enfrentaram resistência da gravadora. Bonfá atribui isso à confiança mútua entre ele, Renato e Dado Villa-Lobos, e diz que pessoas de fora quase nunca opinavam no estúdio.
A exceção era o produtor Mayrton Bahia, que de vez em quando dava alguma sugestão.
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