Uma conversa obtida pela polícia revelou como o policial civil Carlos Barnabé Santos Souza, conhecido como Alemão, repassava informações a um grupo criminoso suspeito de vender armas para Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, chefe do Terceiro Comando Puro (TCP). Segundo a denúncia do Ministério Público do Rio, o agente utilizava dados restritos do Portal de Segurança do Estado para passar dados sobre mandados de prisão, placas de veículos, dados pessoais e endereços de possíveis alvos de extorsão. Carlos Barbabé estava foragido e foi preso nesta quinta-feira, após se apresentar à Corregedoria-Geral da Polícia Civil (CGPOL). Ligada ao Comando Vermelho: Veja como atuava a máfia de taxistas que fraudava taxímetros no Galeão 'Incendiar a UFF de madrugada': Após manifestações pró-Lula em Niterói, estudantes recebem ameaças; reitor aciona Polícia Federal Em um dos casos, ele compartilhou informações sobre um mandado de prisão enquanto colegas da delegacia se preparavam para prender o suspeito. O objetivo era permitir que o comparsa chegasse antes dos policiais para extorquir a vítima.
Na conversa, que consta na denúncia do Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (GAESF), o policial civil troca mensagens com Eduardo Thales Lopes Pires, preso durante operação deflagrada na última quarta-feira. O diálogo começa com o policial informando sobre uma oportunidade financeira para Pires, a quem chama de “Duda”. "Bom dia, Duda. Tem uma informação interessante", escreve o agente. Em seguida, envia a foto de um suspeito e um mandado de prisão expedido pela Justiça contra ele. Depois, informa que o alvo estaria em uma praia da Zona Sudoeste e que dois policiais estariam a caminho para prendê-lo. "Está pegando onda agora no Recreio, colocou no Facebook. Tem dois colegas da DP (Delegacia Policial) indo pra lá", afirma. Pires pergunta: “Vamos pegar antes?”. O policial responde: “Se quiser ir pegar, é show. Vale a pena”. Depois que Pires diz que vai ao local, o agente envia a localização exata do alvo. Segundo o entendimento do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), a articulação tinha como objetivo permitir que Pires chegasse ao alvo antes dos policiais e o extorquisse, obtendo vantagem financeira com o uso das informações sobre o mandado de prisão. Conversa do policial civil passando informações Reprodução Pires é ex-policial militar e ex-ocupante de cargo comissionado na Alerj. Segundo as investigações, ele movimentou aproximadamente R$ 33,4 milhões entre 2019 e 2023. Nas conversas obtidas pela polícia, ele aparece falando sobre armas e visitas a Peixão.Em outra conversa citada na denúncia, Pires diz ao policial civil que está com a “tropa de minas” e que vai levá-las ao encontro do chefe do Complexo de Israel: “Vou levar eles no aquário”. Segundo o Ministério Público, essas expressões eram usadas para se referir diretamente a Peixão.
O Globo