Do alto de seu 1,67 metro de altura, Volodymyr Zelensky enfrenta atualmente os três homens mais poderosos do mundo: Donald Trump, Vladimir Putin e Elon Musk. Todos querem que ele caia fora e, no caso do presidente americano e do bilionário do X, passaram a falar isso abertamente. Putin preferiria assassiná-lo, como já tentou e talvez continue tentando. Independentemente de seus defeitos, entre os quais a incapacidade de “ler” o presidente americano e apaziguar seus ânimos hostis, Zelensky mantém a dignidade e a coragem, mas a quantidade atual de adversidades o transformou no líder político de destaque mais pressionado do mundo.
Em jogo está nada menos que a capacidade da Ucrânia de continuar a resistir ao inimigo russo que engoliu 20% do seu território e gostaria de tomar o resto ou, no mínimo, transformá-lo numa província desdentada e submissa. A guinada de Trump ao liberar a venda de diesel russo e depois suspender sanções, contrariando uma lei aprovada pelo Congresso americano, deixa a Ucrânia numa posição ruim com perspectivas de piorar. Agora que Trump começou, dificilmente vai parar por aí, exceto se subitamente receber uma iluminação.
Continua após a publicidade
Zelensky enfrenta esse golpe numa posição mais frágil, sem nada que se compare à aprovação maciça que tinha no início da invasão russa, ao coordenar a resistência que frustrou os planos de Putin de uma conquista em duas ou três semanas. ESPÍRITO DE RESISTÊNCIA O antológico vídeo em que o presidente dizia que não tinha fugido da capital e lá continuaria entrou para a história do país, mas seu prestígio foi afundando. Uma pesquisa do Rating Group mostra que, se houvesse eleição hoje, Zelensky ainda seria o mais votado, mas com apenas 22,9% das preferências. Quase empatado, com 20,2%, está o ex-chefe do Estado-Maior Valeri Zalujni, o rival demitido pelo presidente e colocado, como consolação, na chefia da embaixada no Reino Unido. A demissão do general foi mal recebida pela opinião pública.
Continua após a publicidade
Os ucranianos são realistas: 57% favorecem negociações de paz através de terceiros e um número quase idêntico admite concessões territoriais em troca de sólidas garantias de segurança ao país. Mas o espírito de resistência continua vivo: 62% disseram que aguentarão a guerra por quanto tempo for necessário. O preço altíssimo pode ser visto literalmente no rosto de Zelensky, como mostra a foto dessa coluna. Enrugado, cansado, com fios brancos invadindo o cabelo e a barba, ele lembra pouco do humorista de aparência juvenil que parecia estar encenando uma grande comédia quando foi eleito, depois de interpretar um professor que chega à presidência quase que por acaso, por causa da fama súbita provocada por uma tirada contra a corrupção.
Continua após a publicidade
Enfrentar simultaneamente Trump, Putin e Musk, que tem capacidade de “cegar” os militares se tirar o Starlink do qual dependem, acrescenta uma nova dimensão à tragédia da qual o comediante se tornou o mais conhecido protagonista.
Publicidade
Notícias Veja